sábado, maio 23, 2026
PolíticaRio Grande do Norte

“PT só tem projeto de poder. E por ele vale até quebrar o país”, diz Rogério Marinho

Foto: Magnus Nascimento

Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, o ex-ministro e senador Rogério Marinho (PL-RN) abordou temas atuais do País e fez críticas ao governo Lula, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e às políticas públicas do Brasil. Marinho apontou falta de liderança política do presidente Lula, destacou o impacto do recente decreto presidencial sobre as forças de segurança, argumentando que ele interfere na autonomia dos estados e negligencia o combate ao crime organizado. Sobre o cenário potiguar, Marinho destacou sua atuação em obras estruturantes como a Barragem de Oiticica e a engorda da praia de Ponta Negra, além de analisar alianças políticas locais para 2026, na qual se coloca como pré-candidato ao Governo.

Recentemente tivemos uma decisão do ministro Flávio Dino em relação às emendas. Qual a sua opinião sobre isso? O sr. acredita em algum acordo entre governo e STF?

Não serei leviano para fazer uma afirmação de que houve. “No creo en brujas, pero que las hay, las hay”. Jabuti não sobe em árvore. Está muito claro que há uma afinidade muito grande entre o Supremo Tribunal Federal e o Governo Federal como nunca antes na história desse País, parafraseando o presidente Lula. Há um desequilíbrio, uma disfuncionalidade entre os poderes. A maneira como o STF tem agido se arvora na condição e na prerrogativa do legislativo e do executivo. Sobre as emendas, é evidente que existe um descontrole, o valor das emendas explodiu exponencialmente. Tem R$ 40 ou R$ 50 bilhões num País que está quebrado. Falta liderança política, liderança moral do presidente da República para sentar numa mesa com os Poderes.

Qual a sua opinião sobre o recente decreto de Lula que limita as ações das forças de segurança no país?

Eu acho que toda ação no sentido de melhorar ou diminuir a letalidade policial é positiva, mas o governo pratica uma chantagem. Primeiro, há uma discricionariedade e uma autonomia das polícias estaduais. Então o governo está dizendo o seguinte: ‘ou você faz o que eu quero ou você não acessa o Fundo Nacional de Segurança’. Depois, o governo tem feito muito pouco em relação ao crime organizado. Está muito preocupado com a questão da polícia e pouco preocupado com o crime organizado no País. A Polícia Federal hoje tem se notabilizado em ser utilizada para coibir crimes de opinião. A gente via a Polícia Federal sendo usada para coibir corrupção, malversação de recursos públicos. A outra questão em relação à segurança pública é que há uma glamourização do crime. O governo defende uma política de desencarceramento. Várias lideranças importantes do governo e do Partido dos Trabalhadores são favoráveis à descriminalização das drogas. E tudo isso gera um efeito, no mínimo, contraditório na sociedade.

O ministro Alexandre de Moraes mandou prender mais uma vez o ex-deputado Daniel Silveira. Qual sua opinião sobre essa nova decisão?

É mais um excesso do ministro, porque, primeiro, a progressão de pena dele foi ignorada. Só depois de dois ou três meses foi dada a progressão de pena. Quando ele sai, sai com uma série de medidas restritivas absolutamente excepcionais. Quem tem uma progressão de pena vai para casa. Mas ele foi com tornozeleira, com proibição de dar entrevista, com proibição de acesso à rede social, de conversar com determinadas pessoas. Ele saiu para uma semiprisão. E aí ele tem um problema médico e, antes que se pergunte o que de fato ocorreu, ele é preso preventivamente novamente.

O governo do Estado anunciou a inauguração da barragem de Oiticica e a Prefeitura de Natal está prestes a concluir a engorda, entre outras obras, projetos que o senhor teve atuação decisiva na liberação de recursos quando ministro. Como o senhor vê a conclusão desses projetos?

Na época em que eu estive aqui como ministro, mais de R$ 300 bilhões foram viabilizados para a Barragem de Oiticica. Ela só não foi concluída naquela oportunidade porque a gestão das obras estava com o Governo do Estado e o governo não fez a administração e a mediação com os envolvidos na área, o que impediu que a parede, daquele vão central, tivesse a sua altitude para a formação do lago na época em que estávamos na frente da administração. Mas a sua conclusão, sem dúvida nenhuma, é um marco importante no Rio Grande do Norte porque ele passa a ser o pulmão que vai recepcionar a entrada das águas do São Francisco, que vai permitir, inclusive, a segurança hídrica daquela região do Seridó. Em relação à engorda, nós resgatamos o projeto, estava perdido, na época, nós tínhamos o Comando da Defesa Civil Nacional, reformulamos o projeto, ampliamos o projeto e começamos a liberação de recursos. E ele, finalmente, agora está em via de conclusão, o que vai melhorar muito a principal atividade econômica da cidade do Natal, que é o turismo.

Que avaliação o sr. faz dos dois primeiros anos do Lula 3?

Lula tem, numa velocidade muito maior, repetido os erros que cometeu nos 14 anos do PT. Os 14 anos do PT foram coroados com a maior crise econômica que esse país já viu desde 1948, com perda de empregos, com supressão do PIB, com o fechamento de centenas de milhares de empresas, o aparelhamento da máquina pública, dos fundos de pensão, o endividamento da Petrobras a nível recorde. Então, tudo isso foi fruto de uma política populista, de uma política equivocada, que cobrou um preço muito forte, principalmente dos mais pobres, que o PT disse que defendia. É o que está acontecendo agora em dois anos Lula está fazendo de maneira muito acelerada em dois anos. Nós vamos terminar o ano com um crescimento de quase 30% do dólar contra o crescimento de 6% do salário mínimo, o que significa perda de poder de compra. Nós estamos vendo aí a fuga do capital do Brasil. Nunca saiu tanto dólar do Brasil. Os investidores estrangeiros e os nacionais comprando dólar para ir embora do país. Nós estamos vendo o arquivamento de projetos importantes, que significam investimento no Brasil.

Saiba mais aqui.

Tribuna do Norte

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