terça-feira, junho 9, 2026
Rio Grande do Norte

Lixo internacional é encontrado em pelo menos mais três praias do RN, diz associação de proteção ambiental

Foto: Divulgação/APC CABO DE SÃO ROQUE

O lixo asiático presente na Praia do Segredo, na Via Costeira, em Natal, também foi encontrado nos últimos meses em praias de pelo menos outras três cidades do litoral do Rio Grande do Norte.

As praias são Muriú (em Ceará-Mirim), Cabo de São Roque (Maxaranguape) e Búzios (Nísia Floresta).

“Se eu for hoje, agora, em uma dessas praias, eu encontro esse lixo internacional”, disse o biólogo Lucas Veríssimo, presidente da Associação de Proteção e Conservação Ambiental Cabo de São Roque, em entrevista ao g1 nesta segunda-feira (10).

A associação faz mutirões de limpeza a cada 15 dias em praias dos três municípios e também em Parnamirim.

Segundo a associação, o problema não é novo. O biólogo Lucas Veríssimo contou que pelo menos desde 2018 materiais internacionais são encontrados nas praias.

Em 2021, relatou, a associação publicou uma pesquisa na qual registrou lixos encontrados de pelo menos 23 países apenas na Praia de São Roque, em Maxaranguape.

“Na praia de Búzios a gente também encontrou bastante, até mais que essa quantidade de países”, disse o biológo, em referência à elaboração de um novo relatório.

A associação funciona desde 2016, mas desde 2018 iniciou com um projeto para limpeza dos espaços próximos aos ninhos das tartarugas.

“Na gravimetria, que é onde a gente consegue fazer a separação do resíduo, a gente começou a perceber [os lixos estrangeiros] e se perguntar: ‘de onde é isso?'”, contou.

Os produtos encontrados tinham rótulos em mandarim, segundo o biólogo, e alguns em francês, italiano e inglês, por exemplo.

De onde chega o lixo?

Segundo o presidente da APC Cabo de São Roque, Lucas Veríssimo, o lixo internacional encontrado nos mutirões não se mostrava desgastado pelo tempo.

“A gente percebeu que o lixo que chegava na beira da praia não era um lixo que tinha um tempo que chegou na praia, que tinha uma degradação natural do resíduo, que passou muito tempo levando sol. Era um lixo limpo, que tinha acabado de ser consumido e ser descartado”, disse.

Foi aí que se levantou a suspeita do grupo de que o material estava sendo descartado de embarcações cargueiras próximas ao litoral potiguar.

“A gente começou a traçar as rotas. Existe um site que você sabe onde estão os navios cargueiros. A gente começou a traçar essas rotas e as proximidades delas com a costa. Eles chegam a uma proximidade muito perto, a até 10 km da costa. E aí possivelmente eles devem ter um custo pra ser coletado esse resíduo [nos portos]. Então entendem que é melhor colocar no mar”, disse.

O biólogo contou que as equipes já encontraram até produtos fechados, como garrafas de água, por exemplo.

“Encontramos fardos fechados de água mineral, de garrafa de 2 litros, de uma garrafa que é bem comum. Eu digo que essa garrafa é bem comum, uma garrafa da Malásia, tem um rótulo vermelho. Toda praia que a gente anda a gente encontra ela. Lacradinho, com água mineral dentro”.

g1 RN

Spread the love