ALIANÇA E VINTÉM


Valério Mesquita*
mesquita.valerio@gmail.com

O tema de hoje pode ensejar a política, o jogo dos contrários e o balanço das disputas partidárias. Mas não é nada disso, apesar de se tratar de minha terra Macaíba. São duas ruas pacatas e simplórias que não perderam a densidade histórica de suas origens. Poucos tratam de rua Dr. Pedro Matos, a artéria antiga, entrada de quem procede de Natal. A denominação costumeira, consuetudinária, é rua da Aliança. Por outro lado, também quase ninguém menciona de rua Frei Miguelinho, àquela que vem dos sertões do Oeste, do Seridó ou do Trairí. A designação corrente é de rua do Vintém.

Segundo os pesquisadores, entre eles, cito o conterrâneo Anderson Tavares, com relação à rua da Aliança existem duas versões. A primeira, fincada nas raízes do imaginário popular, conta que um casal apaixonado resolveu selar o noivado com uma festa, à maneira de Romeu e Julieta sem tragédia. A festa tomou a extensão do arruamento ficando por muito tempo conhecido como o lugar da aliança. A outra intitulação provem de 1896, época em que Eloy de Souza era delegado de Macaíba. No inicio de sua carreira, o mestre Eloy pretendia restabelecer a ordem pública perturbada por alguns desordeiros provenientes dos engenhos Ferreiro Torto, pertencente ao Dr. Francisco de Vasconcelos Chaves e de Arvoredo, cujo proprietário era o coronel Manoel Joaquim de Moura. Por oportuno, esclareço que esta última propriedade foi adquirida, pouco tempo depois, por Alfredo Adolfo de Mesquita, meu avô. A situação era mesmo inquietante. Os trabalhadores perturbavam a feira, furtavam animais e travavam lutas corporais. O primeiro desordeiro detido foi José Câmara, morador do Ferreiro Torto. Na noite seguinte à prisão, numerosos trabalhadores resolveram atacar a cidade. Eloy de Souza, previamente informado, somente dispunha de oito soldados. De pronto, recorreu ao coronel Agripino de Mesquita e ao comendador Umbelino de Mello para que cedessem homens para a defesa. Deslocaram-se todos para a rua localizada entre o Ferreiro Torto e a cidade. Mas não houve luta.

Desta vez, o Dr. Chaves e o coronel Moura compareceram ao local do confronto mas o diálogo prevaleceu graças ao Dr. Eloy, a Agripino, chefe da Oposição e Umbelino, líder da Situação que protagonizaram entre as partes a celebração de um acordo, uma aliança, com a promessa de que tudo aquilo não voltaria a acontecer. O povo presente na dimensão do logradouro, passou a chamar o local de rua da Aliança. E o nome foi oficializado pela Intendência, a pedido de Eloy Castriciano de Souza.

Todavia, chegou-se a imaginar igualmente, que o nome advinha do movimento político dos anos trinta, cognominado “Aliança Liberal”. Entretanto, a origem é mais remota.

Quanto à rua do Vintém, formada por barro vermelho, era caracterizada também por um conjunto de casinholas. Cada casinha possuía apenas uma janela. Era a área das bodegas, da classe pobre. Pouso certo dos tropeiros vindos do sertão carregados de mercadorias para o embarque no porto de Macaíba. Na rua havia um pequeno bordel e os tropeiros divertiam-se à vontade pelo custo de hum vintém. Daí o topônimo que perdura até os dias atuais. Vale esclarecer que o porto ou cais de Macaíba, hoje está encoberto de manguezais e o rio Jundiaí todo assoreado (sujo), apesar dos nossos protestos que já duram mais de 20 anos.

Aliança e Vintém são a cara de Macaíba.

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