A TRISTE PARTIDA

“A surpresa da morte de Auta recebi-a como uma martelada. Apagou-se aquela nobre inteligência, inocente e sonhadora, que ainda ontem versejava contrastes de melancolia e de contentamento, figurando-se ela, a nossa querida morta, sempre do lado da sombra, do pólo negativo da existência. A ti, meu bom Eloy, a Henrique, a João, tão teus irmãos pela retilínia probidade e pelo sagrado respeito com que zelam e ampliam o opulento patrimônio moral, que receberam de teu Pai, e à santa velhinha, que, no mais obscuro e sublime das lágrimas, tem sido a providência incomparavelmente desvelada de todos vocês, envio o meu abraço de profundos pêsames, tão espontâneo e sincero, como a lágrima irreprimível que neste momento me está nublando os olhos”, escreveu Pedro Velho de Albuquerque Maranhão em carta enviada a Eloy Castriciano de Souza sobre a morte de Auta Henriqueta de Souza.

A poetisa macaibense faleceu na madrugada de 7 de fevereiro de 1901. Era uma hora e quinze minutos quando encantava-se, aos 24 anos, a jovem autora do livro “Horto”. Nesta quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019, faz 118 anos do triste acontecimento que levou para o plano espiritual a maior poetisa mística do Brasil e uma das primeiras líricas.

Inicialmente, Auta foi sepultada no Cemitério do Alecrim, na capital potiguar. Após anos, os seus restos mortais foram trasladados e encontram-se repousando atualmente em túmulo nas dependências da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, na sua cidade natal, a belíssima Macaíba.

Por Silva Nunes | escritor e pesquisador

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