RELEMBRANDO JUNIOR COQUINHO

Valério Mesquita*
Mesquita.valerio@gmail.com

Em março passado, Macaíba rememorou o falecimento de Oscar Dantas de Souza Filho, o nosso Junior Coquinho, um dos seus melhores filhos. Foi uma dessas partidas insatisfeitas, repentinas e de modo inconcebivelmente trágico. A sua vida foi breve mas a sua lealdade foi vasta. Ele, em tudo era fiel a palavra dada e a amizade tida. Modesto, simples, sonhou ao lado do seus amigos os melhores sonhos para a sua Macaíba, por quem era apaixonado e amante. Como militante político viveu dias e noites infindas lutando nas ruas com paz e amor que eram suas canções eternas. Da rua da Aliança ao Barro Vermelho, da rua Jundiaí ao Campo da Mangueira. Guardarei dele, das inesquecíveis passeatas a lembrança nítida, leve e amiga que o tempo não vai desfazer.

Nenhuma escola, rua ou praça levou o seu nome. Nem sequer, uma recordação futebolística, visto que foi entusiasmado desportista torcedor do Cruzeiro. Vejo e revejo Junior Coquinho no extinto bar Gato Preto. No seu rosto, uma saudade suspensa no ar mas devidamente incorporado a geografia humana e sentimental da cidade. Ali discutia política, futebol com figuras heterogêneas: vereadores, funcionários, operários, motoristas, jogadores de baralho, vagabundos, a todos ele conhecia pelo nome porque no passado era carteiro e com esse povão reunido, ele realçava a sua própria humanidade comum. Relembro esses fatos e guardo outros tantos que comprovam, a sua correção e solidariedade incomparáveis. Se eu caminhar amanhã pelas ruas desertas de Macaíba e conversar com o povo ou mesmo mentalmente com os fantasmas da minha cidade, eu continuarei a vê-lo, a senti-lo, como presença que foi nos lugares que eu fui.

À Nerina, sua mãe, amiga fiel e devotada juntamente com as suas filhas Odete e Ozélia, deixo novamente o meu público e comovido preito de gratidão. Em nome, também, do blog do “Senadinho” do qual era assíduo leitor, afirmo que nos olhos de vocês continuaremos a ver a face do seu filho e irmão. Lembrem-se que a beleza dos melhores sentimentos humanos não morrem, pois, Deus, no dizer de um pensador, recolhe as flores que o tempo desfolha, cedo ou tarde. Com Junior, Ele se antecipou. E esse fato imponderável me faz lembrar a quadrinha de um poeta: “Oh, cruel morte enganosa/ Eu de ti tenho mil queixas./ A quem devias deixar, levas./ A quem devias levar, deixas/.”

A homenagem que lhe presto não tem a falácia do objetivo laudatório. Trata-se de um sentimento geral de todos os amigos. Porque Junior foi o que foi. Um simples. Um amigo leal em extensão e profundidade.

Que Deus o tenha e guarde na vida eterna.

(*) Escritor.

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