sexta-feira, julho 12, 2024
Rio Grande do Norte

Pesquisa da UFRN investiga substância psicodélica extraída de anfíbio como esperança para novo ansiolítico

Sapo bufo é utilizado para extrair a substância usada no artigo para a Molecular Psychiatry – Foto: Joachim Müller/Flickr

Fertilizantes podem estar para jardins, assim como psicodélicos para o cérebro, criando novos caminhos para conexões neurais. Tendo em vista essa capacidade, o artigo Psicodélico serotogenético 5-MeO-DMT altera expressão de gene relacionado à plasticidade e gera efeitos ansiolíticos em ratos com estresse, em tradução livre do inglês, ganhou publicação no periódico especializado Molecular Psychiatry. A pesquisa, realizada por Margareth Nogueira, do Laboratório de Neurodinâmica do Instituto do Cérebro, ICe, se aproveita da substância 5-MeO-DMT, encontrada no sapo Bufo alvarius (sapo bufo), para verificar seus efeitos em ratos de laboratório.

O trabalho mostra a possibilidade de gerar efeito ansiolítico com o psicodélico, que chegou a durar cinco dias após a sua aplicação. Além disso, a pesquisa verificou outros mecanismos moleculares envolvendo a substância.

Para realizar o estudo sobre esses mecanismos, Nogueira investigou a expressão de oito genes do organismo dos ratos, observando como se adaptariam à substância, a partir da aplicação do 5-MeO-DMT. São eles: Arc, Zif268, BDNF, CREB, mTORC1, NR2A, TRIP8b e NFkB. Em paralelo a isso, os pesquisadores motivaram estresse agudo nos animais e, logo depois, filmaram os animais no campo aberto e labirinto em cruz elevada — assim, checaram como o psicodélico poderia atuar como ansiolítico e ansiogênico nos organismos.

Na análise dos genes, houve aplicação da técnica de microdissecção por laser (Laser Capture Microdissection). Isso permitiu que fossem investigadas áreas do cérebro do camundongo. Já a técnica do RT-qPCR (que ganhou atenção quando começaram os testes de detecção de covid-19) foi usada para análise do RNA nos camundongos. Margareth Nogueira e Daiane Golbert (Laboratório de Neurodinâmica do ICe) já tinham conseguido progresso com o uso desse método de transcrição reversa e ampliação molecular.

Agecom/UFRN

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