Bloco Os Cão retorna nesta terça-feira de Carnaval
O bloco Os Cão passou após dois anos de pandemia, na Redinha, próximo à ponte Newton Navarro, nesta terça-feira (21)
Por Redação Senadinho · Redação
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O bloco Os Cão passou após dois anos de pandemia, na Redinha, próximo à ponte Newton Navarro, nesta terça-feira (21) de Carnaval. Tradicionalmente, os participantes se cobrem de lama no manguezal e saem nas ruas do bairro puxando a folia, por volta das 10h. Este é um dos mais tradicionais do Rio Grande do Norte e ultrapassa 50 anos de existência. Todos os anos, adultos, crianças e idosos participantes da tradição.
Júlio Merege, 49 anos, compartilha que participa do bloco há 25 anos. “É muito bacana, muito maravilhoso. As pessoas vem, se divertem, em contato com a natureza”, disse. O participante chegou de Manaus para Natal e aproveitou uma longa estadia para participar do bloco. Ele recepciona os foliões com um capacete e chifres, um tipo de rito de passagem.
Além dele, Zeza Freitas, 49 anos, relata que participou da luta pela primeira vez, apesar de já acompanhar o bloco de longe, pelas redes sociais. “Todo ano eu queria vir, mas nunca tinha vindo. Morria de vontade de participar”, complementa. Como é a primeira vez que participa, decidiu se jogar. “Já que eu vim, vou mergulhar”, finaliza.
Não há história certa de como o bloco começou, mas existem duas versões mais conhecidas. Uma delas, contada pelos próprios participantes, é que os fundadores são Francisco Ribamar de Brito (Dodô), seu irmão Armando Ferreira de Brito (o Gago), Francisco Clemente da Silva (Chico Baé), Francisco Valdécio (Chico do Cabo) e Djalma de Andrade (Uá), além de José Gabriel de Góes (Zé Lambreta) que, em 1962, deu início ao bloco em um momento de bebedeira.
O grupo teve a ideia de se “vestir” de lama e sair pelas principais ruas da praia da Redinha. Até hoje o lama toma o lugar do famoso abadá usado em outros blocos e comemorações carnavalescas. O nome foi dado pelas próprias pessoas do bairro, que ao verem os cobertos de lama no meio da rua gritaram “olha os cão!”.
Ao longo do tempo, além da lama, as pessoas passaram a acrescentar acessórios e montar fantasias. Em outubro de 2021, o bloco foi concretizado como Patrimônio Imaterial Cultural da capital potiguar em lei sancionada pelo prefeito Álvaro Dias depois de tomar grandes proporções na cidade.
Tribuna do Norte



