Pular para o conteúdo
Senadinho
Cidades

Cresce a busca de jovens por vagas de emprego no RN

Em qualquer faixa etária não está fácil encontrar emprego no Brasil, país com mais de 14,7 milhões de desempregados, mas

Por Redação Senadinho · Redação

7 min de leitura1

Em qualquer faixa etária não está fácil encontrar emprego no Brasil, país com mais de 14,7 milhões de desempregados, mas para quem está ingressando no mercado de trabalho os desafios são ainda maiores. Falta de experiência, grande concorrência e insegurança são algumas das situações pelas quais os jovens passam na busca do primeiro emprego. No Rio Grande do Norte, a procura desse público por uma vaga de trabalho aumentou em 15% nos últimos meses no Sistema Nacional de Emprego e Renda (Sine/RN).

A estudante Williane Nascimento, de 19 anos está nesse grupo. Ela diz que distribuiu currículos nas empresas, mas sem sucesso. “Já enviei vários currículos para as empresas, mas nenhuma me respondeu. A maioria pede experiência, mas se eu estou procurando o primeiro emprego, não tenho experiência ainda”, explicou. Seu desejo é encontrar vaga em uma área de atendimento ao público, como administração ou recepção, as que mais se identifica.

Williane se soma a um grupo de quase dois mil novos jovens que desde julho passado se cadastraram no Sine do Rio Grande do Norte. O estudante Dennys Adriano também está entre estes. Aos 17 anos e sem experiência no mercado, ele procura o primeiro emprego pela necessidade de ajudar na renda familiar. “Nunca trabalhei antes e meu objetivo é ajudar minha família porque nossa renda caiu muito durante a pandemia. Apenas uma pessoa trabalha lá em casa e o salário diminuiu, sendo que tudo aumentou de preço e precisa que mais alguém trabalhe”, contou ele.

Por ser menor de idade, ele ainda não havia procurado vagas nas empresas. Precisava ser inserido no Programa Jovem Aprendiz, pelo qual as empresas podem assinar a carteira de trabalho dos jovens com idade entre 14 e 24 anos por determinado período, oferecendo-lhes curso de formação. “Eu já fiz um curso de garçom, mas qualquer área que eu conseguir já vai ajudar, ainda mais sendo uma coisa formal, como nesse programa”, disse o rapaz.

Se conseguir a vaga, Dennys poderá permanecer nos quadros da empresa como funcionário comum, assim como aconteceu com o gerente de concessionária de veículos, Leonardo Medeiros, de 32 anos. Ele disse que não esperou a maioridade. Aos 16 anos entrou no programa de Aprendiz e, atrelado ao curso de hotelaria que fez, conseguiu uma vaga de trabalho num restaurante. Segundo contou, não foi fácil passar por todos os obstáculos que os jovens enfrentam para ingressar no mercado de trabalho até obter êxito.

“Além da dificuldade de se inserir no mercado, conseguir se manter também é desafiador. O aprendizado de vida e das funções que a gente vai executando ajuda a evoluir e crescer no mercado. Antes de chegar a gerência de uma concessionária, passei por outros trabalhos, até me encontrar na área de vendas. Me viram como gestor, me formei como gestor e há seis anos executo essa função”, relatou.

A Subsecretária do Trabalho da Secretaria Estadual de Trabalho Habitação e Assistência Social (Sethas/RN), Josiane Bezerra, destacou que a demanda por vagas no Sine/RN aumentou nos últimos meses. “Chegamos a quase 12 mil cadastros de jovens entre 16 e 24 anos em busca de uma vaga de emprego. Em agosto, a procura aumentou para 14 mil. A gente sabe que no ano passado foi bem difícil por causa da pandemia da covid-19 e isso fez aumentar o desemprego”, disse ela.

Ela relembrou que, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o último mês de julho foi o melhor do ano em contratações de aprendizes, com um aumento de 1,3% em comparação com janeiro. Foram 520 contratações contra 364 desligamentos, obtendo também o melhor saldo de 2021 para este público. “A gente acredita que, com a retomada da economia e o avanço da vacinação contra a covid-19, as empresas estão voltando a contratar. Por isso, estamos em busca dessas vagas com empresariado e pedimos que as empresas procurem o Sine para empregar nossa força de trabalho jovem”, enfatizou a subsecretária.

Estágios

Além da distribuição de currículos em empresas e do cadastro em bancos de empregos, outra forma dos jovens ingressarem no mercado de trabalho é por meio dos estágios. “O estágio reduz a barreira para ingresso no mercado de trabalho, pois quem passou por estágio consegue compreender boa parte da dinâmica da prática profissional na sua área de atuação. Por outra via, através do estágio o jovem profissional pode obter destaque já no início da sua carreira, como é o caso de quem desenvolve projetos inovadores para práticas já implementadas no seu ambiente de atuação”, declarou o Superintendente Regional do Instituto Euvaldo Lodi, – IEL, Juan Saavedra.

Quando se compara ao mesmo período de 2020, de janeiro a agosto de 2021 o IEL registrou aumento de 23% no número de alunos querendo estagiar, 13% nas vagas de estágio abertas, 17% no número de alunos estagiando e de 30% nas empresas com estagiários ativos e nas cadastradas para receberem estagiários.

“Após uma pausa devido o momento do distanciamento social, tem sido crescente o retorno do número de vagas de estágio nas diversas áreas, principalmente nas que sofreram maior paralisação, como pedagogia e licenciaturas, na qual o tele-trabalho ficou inviável para escolas e instituições concedentes de estágio. Vale citar que esses números sempre estão relacionados com o momento econômico e de confiança da retomada pela classe de empresários”, frisou Juan Saavedra.

Contratações

Com a retomada da economia e o avanço da vacinação contra a covid-19, as empresas estão voltando a contratar e a segunda maior parcela de postos de trabalho formais abertos em julho ficou para os jovens entre 18 e 24 anos. Foram 4.365 contratações desse grupo, maior parte (69,7%) para aqueles com ensino médio completo. Eles conseguiram empregos nas áreas de serviços, comércio e mercado (57,8%). O saldo de admissões para estes no mês de julho foi de 2.036 novos postos, o melhor saldo entre os grupos etários. Os dados são da última edição do Caged.

Contudo, o analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), André Luiz Nogueira, avalia que a procura aumentou, mas as vagas ainda não. “Com o arrefecimento da pandemia, o problema não é a busca por emprego, mas, sim, a oferta que está faltando. A falta de oportunidades, do ponto de vista econômico, é um problema da economia e de uma política que fomente novos empregos ou amplie o consumo para gerar uma demanda por trabalhadores”, declarou o analista.

A taxa de desemprego medida pelo IBGE no Rio Grande do Norte ficou em 16,4% no trimestre encerrado em junho, representando um contingente de 238 mil pessoas buscando por uma oportunidade no mercado de trabalho no estado. A estimativa é de que, desse montante, os jovens até 24 anos cheguem a 30%, algo em torno de 70 mil.

O subsecretário estadual da Juventude do Governo do Estado, Gabriel Medeiros, pontuou que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) já previa que o público jovem seria penalizado com a crise da pandemia da covid-19 devido a dificuldade de concluir a formação por causa da interrupção de aulas, a inserção daqueles que se formaram e a perda de empregos com o impacto econômico gerado pela pandemia.

“Da mesma forma que a busca do primeiro emprego significa a construção da identidade, da autonomia financeira, construção de uma trajetória, é um ambiente extremamente hostil muitas vezes para os jovens. Temos feito esforços para tentar reverter essa situação atuando em parceria com outras secretarias que fomentam a contratação de jovens aprendizes, por exemplo, especialmente nas empresas que contratam com o Governo; e fortalecendo cadastros de empresas com o Sine para irmos em busca dessas vagas”, disse ele.

Além disso, o CredJovem é outra iniciativa oferecida para aqueles que desejam gerar a própria renda. O programa concede microcrédito a esse público de forma menos burocrática através da Agência de Fomento do RN (AGN).

Veja dados de empregabilidade no RN:

Alunos cadastrados +23%
2.055 em 2020
2.530 em 2021

Empresas cadastradas +30%
2.055 em 2020
2.530 em 2021

Vagas abertas +13%
2.055 em 2020
2.530 em 2021

Alunos em estágios +17%
21.334 em 2020
1.558 em 2021

Empresas com estagiários +30%
118 em 2020
153 em 2021

EMPREGOS JOVENS (18 a 24 anos)

Julho de 2021
Admissões: 4.365
Desligamentos: 2.329
Saldo: 2.036 contratações

Julho de 2020
Admissões: 2.576
Desligamentos: 1738
Saldo: 838 contratações

Tribuna do Norte

Compartilhe
Newsletter

As notícias mais importantes do dia, direto no seu e-mail

Ao se inscrever, você concorda com a nossa política de privacidade.

Veja também

Mais de Cidades