LEITURA SELECIONADA
Veja porque eu digo que VALÉRIO MESQUITA é o nosso memorialista fordiano. Este trecho, pertencente ao livro “A Macaíba de
Por Redação Senadinho · Redação
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Veja porque eu digo que VALÉRIO MESQUITA é o nosso memorialista fordiano. Este trecho, pertencente ao livro “A Macaíba de Cada Um” (Z editora, 2019), poderia ser incluído entre as cenas do filme de Como Era Verde o Meu Vale. É o momento em que ele revisita a velha casa dos país – cenário inesquecível de sua vida: “Dentro de casa, os objetos inanimados confundiam-me. Passavam-me a impressão desesperada de que ali ainda morava a vida, com vozes, cuidados, espanadores, vassouras. O óleo de peroba ainda não enxugara de todo. Tudo estava em seu lugar. Não havia sido mexido. A cadeira de dona Nair, a mesa grande da copa, os sofás das conversas políticas, o alpendre – passarela dos notáveis e mendigos – tudo era ressurreição de ambiente. Os quartos, as salas, a cozinha, nada se modificara nem depois do velho Mesquita nem depois de dona Nair. Dali, fui rever a minha biblioteca. Revirei livros e selecionei alguns. Detive-me nos quadros, passagens da vida, momentos felizes, tudo tão fugaz mas sempre verdadeiro. Lágrimas furtivas regalam alguns instantes pontuais de profundidade vital”.
Na vida do escritor e memorialista VALÉRIO MESQUITA Macaíba representa o que a Irlanda significa para o cineasta e memorialista John Ford. Veja este trecho de “Macaíba, Ontem”, publicado no livro “A Macaíba de Cada Um” ( Z Editora, 2019) por Valério Mesquita: “Escrever sobre o passado de Macaíba é um momento raro de confidências emocionais. Macaíba é um centro catalizador e irradiador de emoções, dotada de poderes mágicos.
Percorrendo suas ruas, desfilam comigo todo um universo espiritual de amigos ruidosos ou silenciosos, densos e penetrantes. As ruas do centro, umas largas outras estreitas, o rio poluído, o caís desfeito, os lugares que já foram, os casarões destruídos, tudo comanda uma série de imagens, de sensações auditivas, visuais, olfativas ou mesmo táctil, entre o passado e o presente”.
Por Valério de Andrade



