Cineasta macaibense fala ao Senadinho sobre seu acervo doado a Casa de Cultura e que foi descartado

O cineasta Geraldo Cavalcanti falou ao Senadinho sobre o material que foi doado por ele a Casa de Cultura de Macaíba no ano de 2010 e, que, foi descartado pela atual gestão da Casa de Cultura. Segundo Geraldo, a postura foi insensata, visto que, a prática configura crime contra o patrimônio material e imaterial (a memória). Confira na íntegra abaixo o desabafo do cineasta:
“Primeiro, eu quero agradecer a oportunidade que o blog Senadinho Macaíba está me dando para falar um pouco do meu sentimento de indignação frente ao que considero uma postura insensata e inconsequente da secretaria de cultura de Macaíba. No ano de 2010 eu doei a Casa de Cultura de Macaíba todo o meu acervo de filmes raros em suporte VHS. Entre eles, uma coletânea de curtas dos irmãos Lumiere gravadas no final do século XIX, algumas joias raras do George Melliere e D. W. Grifith, ambos do início do século XX, o filme O cantor de jazz (primeiro filme sonorizado da história do cinema), uma coletânea de Chaplin, filmes do Buster Keaton, clássicos do Expressionismo alemão, do cinema Neorrealista italiano, da nouvelle vague francesa, do cinema novo brasileiro, filmes do Bunuel, do Kurosawa, Eisenstein, etc etc etc etc. Além disso, também doei uma coleção completa da revista Cinemin, a melhor revista sobre cinema já publicada no Brasil. Inclusive, foi nas páginas dessa revista que aprendi muito sobre cinema. Fui fiel leitor dela, era como se eu tivesse um curso superior completo de artes cinematográficas na estante da minha casa. Por fim, doei, também, algumas câmeras antigas; entre elas uma super 8. Fiz essas doações por que esse material já tinha cumprido a sua função na minha aprendizagem sobre cinema. Achei que na Casa de Cultura esse material seria mais útil, pois estaria disponível para que pessoas interessadas no tema pudessem acessá-los. Fui movido pela compreensão de que a aprendizagem só se completa quando ela é compartilhada, passada adiante. E agora, chega ao meu conhecimento que todo esse acervo foi jogado no lixo pelos atuais gestores da secretaria de cultura de Macaíba. Fiquei mais perplexo ainda ao saber que o secretário de cultura que, segundo me informaram é cineasta, se referiu a todo esse acervo como “materiais inservíveis, a exemplo de antigas fitas VHS, cujos filmes ali armazenados se encontram em outros meios mais modernos…” É lamentável essa postura do secretário de cultura. Uma lástima. Isso mostra toda a sua fragilidade técnica em administrar os bens culturais que são públicos. Pergunto-me: como é que um gestor de cultura se refere a memória cinematográfica como material inservível pelo simples fato de está armazenado em suporte VHS? Sendo assim, seguindo o raciocínio do secretário de cultura de Macaíba, o acervo de negativos dos filmes de Sergei Eisenstein ou George Mellie devem ser incinerados pelo fato de já estarem disponíveis em outras plataformas. Não seria mais sensato se o senhor secretário de cultura de Macaíba tivesse digitalizado esse material, disponibilizado para a população e devolvido os seus originais ao doador?
O fato é que essa prática se configura em crime contra o patrimônio material e imaterial (a memória), previsto em Lei. Fico estarrecido ao constatar que esse crime foi praticado por pessoas que deveriam agir em defesa do patrimônio público e, mais agravante ainda, por se tratar de um cineasta e de um historiador”.

