quinta-feira, maio 21, 2026
Flávia Urbano

A importância do tédio e do ócio

Em um mundo tão apressado, em uma sociedade de relações líquidas como bem definiu Bauman, da lógica do agora, da superficialidade, da artificialidade e dos prazeres imediatos e fugazes, da noção acelerada do tempo, da impaciência de chegar ao final de um texto de cinco linhas ou de um vídeo de 15 segundos, estamos nos esquecendo da importância do tédio e do ócio em nossas vidas. Tais estados de espírito adquirem cada vez mais uma conotação negativa. Porque urge ser, urge ter, urge fazer, urge produzir mais e mais, como se estivéssemos numa corrida maluca competindo contra nós mesmos.

Como é boa a sensação de que cada coisa está no seu devido lugar, de que por hora não há nada a se fazer, só observar, respirar, contemplar e… descansar. A sensação de que não há sobressaltos, não há angústia e não há autocobrança. A pausa de um domingo sem grandes pretensões, sem hora para levantar, de meia hora para você ou um tempinho sem nada para fazer. E a sensação indescritível de um relacionamento sem sobressaltos? Nossa! Você acredita que tem pessoas que se acostumam com a dinâmica de relacionamentos, sejam amorosos, familiares ou de trabalho, cheio de altos e baixos, de pressão e não conseguem simplesmente viver uma relação de tranquilidade?

Passou do tempo de olharmos para dentro de nós mesmos, de buscarmos o equilíbrio. Aceleração, desaceleração. Material, espiritual. Razão, emoção. Acredito muito que a humanidade vive ciclos, absorvendo e ressignificando as técnicas e tecnologias ao longo de sua história de modo a que elas nos sirvam e não nós estejamos a serviço delas. Que o tédio e o ócio possam ser apoios para o encontro desse almejado equilíbrio. A armadilha está aberta. Só nos resta dar um passo para escapar. Que as nossas necessidades sejam reais, fruto de nossa vontade consciente, e não as que nos impuseram.

Flávia Urbano.

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