Política. E eu com isso?

Uma cena do filme Enola Holmes, da Netflix, destacado na página de Um Filme me Disse no Instagram foi minha inspiração para a reflexão de hoje. Um diálogo entre as personagens Sherlock Holmes e Edith, ele homem branco e ela mulher preta, me chamou a atenção.
Edith: Não se interessa por política. Por quê?
Sherlock: Porque é chato.
Edith: Porque não tem interesse em mudar um mundo que o favorece tanto.
Imaginemos, pois, a linha cronológica das eleições. Quem, desde sempre, teve reconhecido o status de cidadão, o direito de votar e de ser votado? Os homens, brancos e ricos. Toda a população restante estava de fora: mulheres, pretos e pobres. Lembremos que somente na década de 1930, nós mulheres obtivemos o direito ao voto. A política era feita por eles e para eles. (E ainda é em muita medida) Naturalmente, isso se refletiu na composição dos parlamentos e nas políticas públicas.
A diversidade de representatividade nos espaços de poder é muito baixa. Para termos uma ideia, somos mais da metade da população e apenas 15% no Congresso Nacional. E nem vou entrar no mérito do perfil das mulheres e nem com quais pautas elas estão comprometidas.
Por toda essa conjuntura, na qual as mudanças interessam pouco ou nada à maioria dos homens que tradicionalmente decidem os destinos do País, do Estado e dos municípios, crescemos ouvindo o dogma de que “política não se discute”. E mais. Sem uma educação cidadã, a maior parte de nós não tem a percepção de como a política está em toda parte, decidindo sobre o preço da comida no supermercado, do combustível, dos níveis de investimento e prioridades em educação e saúde pública, políticas sociais…
No Rio Grande do Norte, é recentíssimo o movimento de candidaturas populares, de gente como a gente, na representação dos mandatos eletivos. Porque fomos levados a acreditar que a política não era assunto nosso. É sim. Queiramos nós ou não. A política poderá interferir da pior maneira possível nas nossas vidas com o nosso silêncio ou, com a nossa participação, votando e sendo votado, buscaremos juntos as transformações que desejamos.
Flávia Urbano.

