quinta-feira, maio 21, 2026
Flávia Urbano

Reciprocidade

A maturidade vai nos fazendo observar certos comportamentos que antes passavam despercebidos ou, em nome não sei nem do quê, deixávamos passar, fazíamos de conta que não estávamos vendo. Tem gente que nasce pronta. Comigo não teve pra nascer pronta não. Foi levando muito na cabeça mesmo. E ainda não aprendi 100%. (Tamos juntos, André! rsrsrsrs)

Para quem tem naturalmente o hábito de se doar ao outro, é difícil compreender que nem sempre esse outro estará disposto a fazer o mesmo por você e que não lhe terá no mesmo patamar de consideração. É a tal reciprocidade – a qualidade ou caráter de recíproco; a correspondência mútua, como está lá no dicionário.

Quem tem a satisfação de receber em casa também adora receber convites. Quem pergunta se está tudo bem, também precisa de acolhimento. Quem cuida, quer ser cuidado. Quem quer estar junto precisa sentir que o outro também quer.

Reciprocidade é sinal de carinho, de respeito, de amor. Relações, nos mais diversos âmbitos da nossa vida, seja amorosa, de amizade, familiar, de trabalho, precisam ser via de mão dupla. E quando não são, quem se entrega faz o quê? Já dizia um amigo que todos os dias sai um besta e um sabido de casa. Ensino aos meus filhos: não seja o sabido, mas também não seja o besta. (Mal sabem eles que somente de uns dois anos para cá eu tenho começado a deixar de ser a besta do rolê).

Para aquele que se entrega, é triste quando a ficha cai. Sobretudo quando você percebe que, além de a pessoa não corresponder a atenção que você a dedica, ela nem faz questão de esconder que alimenta essa reciprocidade com outras pessoas. E, muitas vezes, não é falha de caráter, é escolha mesmo. Então, vivemos o dilema: será que é egoísmo se distanciar? Respondo: não é. Um círculo que parecia maior, vai se reduzindo, até você perceber que verdadeiramente são muito poucos. Por outro lado, é reconfortante pensar que nossa essência está bem aqui.

Flávia Urbano.

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