CENTENÁRIO DE JOSÉ INÁCIO DE SOUZA NETO

Valério Mesquita
mesquita.valerio@gmail.com
José Inácio de Souza Neto, nasceu em 18 de janeiro de 1921 na cidade de Palmares/PE. Era filho do imigrante sírio-libanês Tanus Nasser (tradução tupiniquim – Antonio Inácio), casado com Elvira Mineiro de Souza, pernambucana. José Inácio foi o primeiro dos sete filhos que veio residir em Macaíba no ano de 1922. Estudou o primário com Dona Quirina, no Grupo Escolar Auta de Souza, até a 5ª série, e com o professor Paulo Nobre apenas as duas primeiras séries do curso secundário (ginásio). Alistou-se para o Tiro de Guerra e foi ex-combatente. Com o dinheiro guardado do seu soldo, quando saiu do Exército, abriu o seu próprio comércio (tecidos).
Casou-se em dezembro de 1944, com Duvina Leiros de Souza, nascendo dessa união quatro filhos: Écia (falecida), Evânia, Paulo (Pabel) e Eneide. Zezinho foi maçom, vice-presidente do CLRM, diretor da Associação do Comércio Varejista de Macaíba e, na juventude, defendeu as cores do Humaitá na posição de beque central. Pela potência do seu chute, recebeu o apelido de “Chute Fraco”. Entre várias homenagens de associações e entidades obteve o certificado de amigo do 16º Batalhão de Infantaria Motorizada.
A vida de “Seu Zezinho”, como era conhecido e tratado pela população, não se resumiu à simplicidade curricular de habitante de uma cidade interiorana, com os seus hábitos e costumes rotineiros. Sem ser militante político ou partidário, acompanhou as administrações públicas sempre sugerindo o bom e o melhor para Macaíba. Amava o município como se fosse o berço do seu nascimento. E mais do que muitos filhos da terra que se escafederam e se esqueceram dela.
Nas gestões municipais de Mônica Dantas (sua amiga e líder política), foi especial conselheiro, sem pedir em troca cargo ou benefício de qualquer natureza. Assim, agiu com relação aos períodos dos prefeitos Manoel Firmino de Medeiros e Geraldo Pinheiro. Foi um virtual secretário sem pasta. Só pelo amor à cidade.
Gostava de percorrer as ruas do subúrbio da cidade preocupado com o traçado urbanístico. Por várias vezes trouxe-me ao conhecimento ocorrências dessa natureza para as providências cabíveis junto a inúmeros prefeitos.
Foi kardecista e como tal beneficiou caritativamente dezenas de famílias pobres, doando o remédio, o agasalho e o conforto espiritual. Minha mãe frequentou por vários anos o Centro Espírita Jesus e Caridade por ele conduzido ao lado de Gustavo Lima.
Nos últimos anos, conversávamos bastante. Principalmente, sobre o passado de Macaíba. Revelou-me histórias inéditas e curiosas a respeito da cidade e seus habitantes das décadas de 30, 40 e 50. Muitos desses fatos que me narrou, ora em sua casa em Natal, ora em minha casa em Macaíba, onde visitava habitualmente minha mãe, publiquei-os na imprensa e nos meus livros, ressaltando-lhe a condição de pesquisador e historiador da cidade. Tivemos, pois, uma relação amistosa e de respeito mútuo. Jamais, como político, lhe falei em votos. Conhecia as suas convicções, sua independência e o livre pensar.
Quando adoeceu fui visitá-lo, ao lado dos filhos Dra. Écia, Paulo Roberto e a esposa D. Duvina Leiros de Souza, afilhada dos meus pais. Faleceu aos 83 anos. Foi sepultado em Macaíba, como pediu, como último ato de amor à cidade que tanto defendeu.
(*) Escritor.

