Junho Roxo conscientiza sobre lipedema no RN

O lipedema é uma doença que acomete cerca de 10% das mulheres no mundo, sendo caracterizada pelo inchaço e acúmulo anormal de gordura de forma limitada ou em múltiplos membros, como a região de glúteos, coxas, pernas e até mesmo nos braços. A doença tem caráter crônico e progressivo, podendo ser agravada no decorrer do tempo, sendo a forma mais grave a que atinge de form acentuada as articulações dos joelhos e tornozelos, o que compromete a mobilidade do paciente.
Dentre os seus sintomas, além do inchaço nas regiões, há também a sensação de peso nas pernas, causado pelo comprometimento da vascularização dos vasos linfáticos que o inchaço e excesso de gordura podem causar, chegando até a haver sensibilidade ao toque e dor em alguns casos.
Os vasos linfáticos são responsáveis por drenar o líquido dos tecidos para os vasos sanguíneos, impedindo que o líquido fique acumulado na região. Uma vez comprometido, o acúmulo de líquido pode causar desconfortos e, em pacientes com lipedema, agravar a mobilidade dos pacientes. “Quando afeta a qualidade de vida do paciente, o lipedema se torna um problema. Nos casos mais comuns, a doença se manifesta através do inchaço associado à sensibilidade e dores, mas em casos mais avançados, o lipedema pode dificultar a realização de atividades diárias e contribuir para o desenvolvimento de outras condições, como problemas nas articulações, infecções e linfedema, que é o acúmulo de líquido linfático, causando inchaço”, conta Raissa Castro, médica endocrinologista.
O diagnóstico da lipedema acaba sendo mascarado pela sua aparência muitas vezes confundível com casos de celulite ou apenas gordura localizada, sendo ainda confundida com linfedema, que é uma doença vascular que acomete o sistema vascular do paciente de forma unilateral, sendo diferenciada do lipedema, principalmente, por essa sua aparência assimétrica.
Como é uma uma doença crônica, ou seja, sem possibilidade de cura, o lipedema tem sua melhorada associada aos cuidados paliativos, através do controle do quadro inflamatório da doença, sendo recomendado tratamentos como terapias de compressão e drenagem linfática e melhora de hábitos alimentares. “Além de evitar alimentos inflamatórios e ultraprocessados, como os ricos em sódio, é importante a adoção de uma dieta rica em alimentos anti-inflamatórios como cúrcuma, gengibre, óleo de coco, azeite de oliva, chia e ômega-3, além de ricos em vitamina como A, C e E”, destaca a nutricionista Micarla Tereza.
O Junho Roxo leva informação e conscientização sobre o lipedema, incentivando as mulheres a procurarem ajuda médica para o tratamento. Em Natal, o projeto Lipedema Experience oferece um tratamento multidisciplinar para a doença envolvendo endocrinologista, nutricionista e cirurgião vascular.
Tribuna do Norte
