quarta-feira, junho 17, 2026
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No Rio Grande do Norte, 358 mil pessoas não se vacinaram contra a covid-19

Foto: Reprodução

Com 358 mil pessoas que não tomaram nenhuma dose da vacina anticovid e 221 mil que não retornaram para receber a D2, o Rio Grande do Norte voltou a ultrapassar 52% de ocupação de leitos críticos para tratamento da covid-19 na manhã de quarta-feira (3), o que não acontecia há três meses e meio, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap). De acordo com levantamento da pasta no mês passado, que acompanhou a evolução clínica de pacientes, com quadro finalizado por alta médica ou óbito, de 164 internações, 108 eram de pacientes que não tomaram a vacina, o que representa 65% do total.

Para os especialistas, o cenário ainda é confortável, mas a recusa da vacina ameaça o controle da pandemia. A última vez que o estado registrou mais de 52% de ocupação foi no dia 16 de julho, quando 192 pessoas estavam internadas (53,78%). Atualmente 92 pacientes permanecem em tratamento nos leitos covid. A diferença entre os dois cenários é de que em julho o estado disponibilizava 357 leitos e hoje 194 estão disponíveis, devido à “reversão” de leitos exclusivos covid para outras doenças.

De acordo com a pasta, aproximadamente 100 leitos foram revertidos para UTI geral. O pesquisador Leonardo Lima, do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LAIS/UFRN), destaca que, apesar do aumento, os índices da pandemia permanecem baixos em virtude da vacinação. “O estado chegou a ter 431 leitos operacionais, hoje conta com 177 e como são números baixos, qualquer internação relacionada ao coronavírus vai ter um grande impacto no percentual de ocupação. O importante é transmitir a mensagem para a população de que a vacinação tem contribuído para a queda de casos e óbitos”, comenta.

O pesquisador, que é doutor em imunologia básica e aplicada, acrescenta ainda que a grande maioria dos potiguares internados não foram vacinados ou não completaram o esquema vacinal. Até a manhã de ontem (3), a plataforma RN Mais Vacina, da Sesap, mostrava que 358.403 pessoas maiores de 18 anos, aptas a se vacinarem, não procuraram os postos para receberem os imunizantes. A meta da Saúde estadual era aplicar ao menos uma dose em toda a população adulta até setembro (2.657.700 potiguares), mas até agora 2.299.297 entraram na campanha de vacinação anticovid (86%).

“Existem vários aspectos que podem estar contribuindo para essa recusa da vacinação. Nesse sentido, um aspecto que a gente tem observado nesses potiguares que não tomaram nenhuma dose é a questão política. A pandemia não tem sido tratada de forma técnica, com uma mensagem única para a população, especialmente por parte do governo federal e isso tem confundido bastante as pessoas”, explica Leonardo Lima.

Outro fator que desperta a preocupação dos cientistas da área é a presença da variante Delta, considerada mais transmissível por apresentar múltiplas mutações genéticas. No Rio Grande do Norte, o Lacen-RN identificou 173 casos confirmados e dois óbitos causados pela nova cepa. Por ser tão transmissível quanto a catapora, o surgimento da variante atrapalha a previsão de cenários, segundo o epidemiologista Ion de Andrade.

Tribuna do Norte

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