Passados 30 dias, sindicância sobre morte de idoso não foi concluída

No início de novembro a morte do comerciante José Willams Rocha chamou a atenção dos potiguares por um detalhe: o homem, que era cardíaco, faleceu no mesmo dia em que tentou, sem sucesso, atendimento no Hospital Wallfredo Gurgel, em Natal. A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN) abriu sindicância para apurar a situação. No entanto, pouco mais de um mês, o caso segue sem resposta.
A TRIBUNA DO NORTE questionou a Sesap sobre como está a investigação. A pasta respondeu que o caso “ainda está em apuração” e não deu estimativas de quando as investigações serão concluídas, nem quais pontos faltam ser apurados. Segundo a Secretaria, a investigação está a cargo do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (MPRN).
Enquanto isso, a família de Willams reclama da falta de respostas. “Ninguém fala quando a sindicância vai ser finalizada. Nós iremos procurar um advogado para que ele tome a frente do caso. Procurar a Justiça é uma forma de fazer com que os responsáveis sejam punidos pelo que houve. Estamos buscando uma forma de reparação”, relata Williana dos Santos Rocha, filha da vítima.
O passar do tempo ainda não foi capaz de diminuir as marcas deixadas pela morte do pai em Williana. As lembranças e as perguntas sobre o que aconteceu naquele fatídico dia ainda estão muito presentes na rotina dela, conforme relatou. “De manhã cedo é uma angústia enorme. Todos os dias, por volta das 14h eu começo a pensar na peregrinação que ele fez em busca de atendimento e choro a perda do meu pai”.
Sem repostas, ela questiona: “Pergunto a Deus por que isso. Na quinta-feira (9) foi a formatura do meu irmão de 6 anos, no ABC. Quando vi as fotos dele sem meu pai, chorei muito”, conta.
Ainda em novembro, a companheira de Willams foi ouvida pela Promotoria de Saúde do Ministério Público em uma audiência, para detalhar informações da busca do comerciante por atendimento. O MP instaurou procedimento preparatório para investigar eventual falha do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel em relação ao caso.
A TRIBUNA DO NORTE tentou ouvir o órgão nessa sexta-feira (10), mas a assessoria de imprensa do MP alegou ser feriado da Justiça e não deu retorno até o fechamento desta edição. De acordo com informações da Sesap no mês passado, o prazo para conclusão da sindicância iria variar de 10 a 15 dias, o que não ocorreu.
O caso também é investigado pela Polícia Civil. A TN solicitou informações sobre o inquérito à corporação, mas também não houve retorno.
Relembre o caso
Por volta das 14h30 do dia 5 de novembro, José Willams Rocha sentiu fortes dores no peito, quando estava na loja de material de construção onde trabalhava havia nove anos, em Mãe Luiza, zona Leste de Natal. Ele procurou o pronto-socorro do Hospital Walfredo Gurgel, mas não conseguiu ser atendido. Para registrar a negativa que recebeu da unidade hospitalar, o comerciante gravou um vídeo, que só foi descoberto pela família após o sepultamento dele.
Na gravação, ele aparece saindo do hospital, ofegante, com suor na testa em meio a seis ambulâncias estacionadas. O registro foi feito às 14h54. Willams morreu às 16h21. Da entrada do Walfredo Gurgel, o comerciante ligou para a esposa, que pediu a ajuda do cunhado para socorrê-lo e levá-lo ao Hospital dos Pescadores.
Na unidade das Rocas, ele chegou a ser intubado, mas sofreu duas paradas cardíacas e morreu após mais de 40 minutos de tentativa de reanimação. José Willams era cardíaco. Em fevereiro de 2019 ele se submeteu a um cateterismo e uma angioplastia. Na época, o comerciante não precisou de urgência e conseguiu agendar os procedimentos pelo SUS.
Tribuna do Norte

