Síndrome vira-lata e as lições da vacinação

Lendo a manchete na imprensa “Quebec proíbe venda de maconha e álcool para não vacinados e busca por vacina sobe 300%”, referindo-se à vacinação contra a covid-19, pensei imediatamente no quanto atribuímos aos países desenvolvidos uma aura de superioridade que vai além dos seus índices econômicos e de qualidade de vida. Melhor explicando. Associamos esse grau de desenvolvimento a uma questão educacional e de consciência cidadã, como se dinheiro e senso crítico fossem causa e consequência um do outro. Puro preconceito.
O Canadá, país com um dos maiores índices de desenvolvimento econômico do mundo, não está imune à guerra de desinformação e teorias conspiratórias às quais estamos expostos nós, aqui nesse canto do planeta, num país subdesenvolvido. E mesmo assim, a despeito inclusive de um presidente que atua diuturnamente contra a vacina, estamos próximos de 70% da população brasileira com as duas doses aplicadas.
A pandemia tem nos mostrado o quanto o SUS é imprescindível a um país de dimensão continental como o nosso e de desigualdade social assustadora. Sistema responsável por consolidar essa nossa cultura tão forte a favor da vacinação. Que miremos no que há de positivo lá fora, sem nos esquecer do que temos de bom também.
Flávia Urbano.

