sábado, julho 4, 2026
EconomiaRio Grande do Norte

O peso da alta do diesel na cadeia de produtos e serviços no RN

Foto: Adriano Abreu

Os sucessivos aumentos no preço do óleo diesel – combustível automotivo mais usado no País – vêm impactando negativamente os custos das atividades produtivas e de toda a cadeia de produtos e serviços potiguar. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o litro do diesel comum subiu 41,1% em um ano no Rio Grande do Norte, movimento que deve puxar os preços de insumos básicos para cima, como analisam autoridades do comércio de alimentos, serviços e do setor logístico. O diesel também abastece o transporte público urbano da capital, que também já prevê baixas no sistema com a alta do combustível.

Diferentemente de outros insumos, qualquer variação do diesel mexe diretamente com a economia local, explica o economista Thales Penha. O professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Depec/UFRN) diz que um dos primeiros sintomas é percebido rapidamente na prateleira do supermercado, uma vez que o diesel termina por elevar o frete de mercadorias. Além disso, Penha acrescenta que o potiguar acaba sentindo mais fortemente o aumento do combustível em comparação com outros estados.

“O Rio Grande do Norte é um Estado que importa muito, a gente tem déficit comercial com quase todos os estados, portanto é um Estado onde entra muito produto de fora. Então, com o aumento do diesel, temos também um aumento do frete”, detalha. A posição é reforçada pelo especialista em mercado financeiro Henrique Souza. Ele acredita que o cenário provoca mudanças negativas na relação de consumo do potiguar.

“Temos uma via de escoamento, que é a Ceasa, por exemplo, com o transporte rodoviário chegando, trazendo os produtos hortifrutigranjeiros com preços mais elevados, que levam em conta essa variável do frete”, complementa.

“Não só na Ceasa [Central de Abastecimento do Rio Grande do Norte] na capital, todos os gêneros alimentícios, que fazem parte da cesta básica, serão severamente impactados pelo aumento do diesel. Isso o consumidor já vem percebendo no dia a dia, no supermercado por exemplo”, afirma Souza. O diretor executivo da Rede Mais Supermercados, que atua em 11 cidades do RN, Eugênio Pacelli, diz que os reajustes que a rede vem recebendo “foge do padrão” e que o aumento do diesel é “muito preocupante” porque é um dos principais componentes, que são levados em conta na hora de elevar o preço dos alimentos.

“Durante muito tempo, a gente ficava até um ano sem receber nenhum tipo de reajuste, mas esse movimento tem sido muito recorrente. Esses reajustes da indústria acontecem por vários motivos, é o combustível, outra hora é o câmbio, a chuva, a falta de chuva, especulação, então todos esses fatores influenciam. O combustível tem um peso importante nisso. A gente recebe os reajustes da indústria e briga muito para não repassar, mas chega uma hora que o estoque acaba e você não tem outro caminho, a não ser comprar. Fato é que tudo é movido a combustível, então o impacto existe e é grande”, destaca Pacelli.

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Tribuna do Norte

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