domingo, abril 26, 2026
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Homenagem a Severo

Foto: Armando Holanda

Discurso de Armando Holanda na homenagem que fez durante a solenidade na RAMPA, no dia 12 de maio. Também estará no livro que será lançado em breve, intitulado “AUGUSTO SEVERO – O RETORNO“, que trata de todo o trâmite para que os restos mortais de Severo será trasladado do Rio de Janeiro para Macaíba.

Uma das maiores autoridades jurídicas do Rio Grande do Norte, e profundo pesquisador da vida e obra do macaibense Augusto Severo, Armando Roberto Holanda Leite, ou simplesmente Roberto de Seu Paulo da farmácia, como gostava de ser chamado, é um dos baluartes dos trâmites para que os restos mortais do balonista macaibense volte à sua terra natal.

Em breve, Dr. Armando Holanda estará no Rio de Janeiro para tratar dos assuntos inerentes ao traslado. Ao lado do jurista e escritor, estarão outros membros da comissão que foram nomeados pela Governadora Fátima Bezerra para tratar dos assuntos que o caso requer.

Vale salientar que Dr. Armando Holanda é o único potiguar a ter procuração dos familiares de Augusto Severo para representar a família em todos os assuntos inerentes ao traslado.

No discurso que leu, em nome da família, mostrou o seu compromisso e desprendimento para com a missão que lhe foi dada. Severo vive!

Confira homenagem abaixo:

“Ouve o que te digo: está morto o vivo que esquece os seus mortos e os sepulta em si, empareda-os, vivos, numa íntima cova”. (LÊDO IVO, Estação Central).

Excelentíssima Professora Doutora FÁTIMA BEZERRA, Digníssima Governadora do Estado do Rio Grande do Norte, na pessoa de quem saúdo as demais autoridades. Senhoras e senhores.

“Uma bela morte honra toda a vida” (PETRARCA, CANCIONEIROS). “Não morrerei de todo” (HORÁCIO, ODES, vol. III, capítulo III).

AUGUSTO SEVERO DE ALBUQUERQUE MARANHÃO, nosso bisavô, morreu em Paris no dia 12 de maio de 1902, há cento e vinte anos.

Para IMRE MADÁCH, A TRAGÉDIA DO HOMEM, o “teu corpo vai ser um monte de pó, mas reviverás em mil novas formas. O que experimentas, sentes e aprendes será seu pelos séculos dos séculos”. 

Senhora Governadora.
Senhoras e senhores.

“O LOUVOR DOS MORTOS É UM MODO DE ORAR POR ELES” (MACHADO DE ASSIS, Dom Casmurro).

No dia de hoje, 12 de maio de 2022, às margens do Potengi amado, que se prepara, todo azul, para se encontrar com o mar, AUGUSTO SEVERO ressuscita, porque, como dito alhures, pioneiramente pelo advogado ARMANDO HOLANDA, “ele quer voltar para casa”. E voltará! Vamos resgatá-lo!

GABRIEL GARCIA MARQUEZ, colombiano e cidadão do mundo, na obra CEM ANOS DE SOLIDÃO, ao dar cores, letras e vida ao denominado realismo fantástico, confundiu a realidade com a ficção, e esta venceu aquela.

Pensando assim, submissos aos sonhos e postergando a fatalidade da morte, temos, que a qualquer instante, AUGUSTO SEVERO, ressuscitado pelos seus conterrâneos, cansado da posição estática no pedestal que o ampara, na praça honrada com seu nome, caminhe pela cidade; reveja as Rocas, os Santos Reis e a Ribeira; reencontre-se com o rio e o mar; abrace as árvores, colha flores, e, findo o périplo, volte para o monumento que o imortaliza, mas não olhe à esquerda, poupe-se do sofrimento de constatar que a placa centenária da TRAVESSA SACHET foi retirada, e, certamente, descartada.
Não chore! SACHET vive!

Em Paris, as ruas SEVERÔ e SACHET correm paralelas. Em Natal, SACHET foi afastado do seu ídolo. Entretanto, nada os separará no grande romance da história do mundo.

Excelentíssimos Doutores ÁLVARO DIAS, Prefeito de Natal, e PAULO FREIRE, Presidente da Câmara Municipal de Natal, lembramos às Vossas Excelências, respeitosamente, que reponham o nome de SACHET, que, há mais de cem anos, emoldurava a Travessa situada entre o Teatro Alberto Maranhão e a Faculdade de Direito – antigo Colégio Augusto Severo – ao seu local de origem. Na capital francesa, na Avenida du Maine, desde 30 de agosto de 1913, em uma placa registra a morte de SACHET, enquanto “vítima da ciência”.

Este apelo, quase súplica, esperamos, comova o coração de Vossas Excelências.

É chegada a hora, Senhora Governadora, de pedir e agradecer.

A FAMÍLIA DE AUGUSTO SEVERO, por seu representante, pede às autoridades que o nosso bisavô amado, “que quer voltar para casa”, seja para o seu chão transportado, pelo mar, pela Marinha do Brasil, ele que ganhou, na Câmara dos Deputados, o título de Almirante do Congresso, defensor que foi, por seis anos, dos interesses da Armada; que os seus restos mortais sejam postos exclusivamente no prédio-sede do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, que, neste ano, completou cento e vinte anos de uma gloriosa existência; que sob a guarda, em rodízio, de militares da Marinha do Brasil, do Exército, da Aeronáutica e da Polícia Militar, alí permaneça na Casa de Memória até que o Município de Macaíba, sua terra natal, edifique a sua morada definitiva, cujo projeto, humildemente esperamos seja posto sob o crivo dos seus bisnetos, com a adequada e formal antecedência, porque os restos mortais de AUGUSTO SEVERO integram o Patrimônio Imaterial da sua família. Esperamos que a edificação, senhor Prefeito Emídio Júnior, não contenha nomes de autoridades públicas ou privadas, inclusive de terceiros.

À Comissão Especial, constituída pelo Governo do Estado, que atua sob a coordenação do Doutor ANTENOR ROBERTO, Digníssimo Vice-Governador, os nossos sentimentos de respeito e admiração. São, os designados, importantes personalidades da vida cultural desta Província.

Na Comissão, temos, os bisnetos de AUGUSTO SEVERO, com todos os poderes de representação, a presença do advogado macaibense ARMANDO HOLANDA, com quem mantemos laços de amizade, confiança e respeito. Ele é a voz e o intérprete único dos nossos desejos e ponderações.

Concluímos, citando CASSIANO RICARDO:

“Eu sei que ele morreu, pois são inesquecíveis aqueles ângulos que se formam pela sala, onde alguém cruza as mãos, cruzando os dedos sobre o peito, como se fossem dois segredos, dois ramos, arrancados à árvore da vida, no qual os silêncios eram flores nascidas pelo vão dos minutos, pelo vão dos seus dedos, foi porque ele morreu, irremediavelmente; esmagado, como uma pétala de rosa nas mãos de chumbo que o levaram para sempre: mas foi tal o rumor de sua vida que ele venceu a morte com a leveza de um sonho e não me convenceu ainda que está morto. Pois se a morte me vence como uma pedra que rolou do barranco, por que não me convence como uma simples pétala de rosa”.

Agradecemos os que homenageiam o nosso bisavô. A história registrará a grandeza destas
honrarias.

Para ALMINO AFONSO, SEVERO “tendo se esforçado para vencer os astros, venceu a morte”.

Que Deus nos guarde e proteja.

Obrigada.

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