segunda-feira, abril 27, 2026
Rio Grande do NorteSaúde

Infartos fatais em mulheres de até 49 anos crescem 350%

Foto: Alex Régis/Reprodução

Em janeiro de 2021, a coordenadora disciplinar Adriana Freitas sentiu dores nas costas, azia e queimação, sintomas que, apesar de incomuns para ela, não foram levados em consideração enquanto algo que pudesse ser grave. Oito meses depois, em setembro daquele mesmo ano, a natalense conta que os incômodos voltaram mais fortes e acompanhados de dor no peito e de uma espécie de entalo. Como os sintomas passaram com o tempo, ela só resolveu ir ao hospital quatro dias depois para fazer alguns exames. “O médico disse que eu tive um infarto grave”, conta. À época, Adriana tinha 48 anos e o diagnóstico surpreendeu até a equipe de saúde que a atendeu.

O infarto agudo do miocárdio é uma condição caracterizada pela morte de células do coração em razão da formação de coágulos que interrompem o fluxo sanguíneo de forma súbita e intensa. Embora possa atingir pessoas de qualquer idade, o risco da doença é menor para mulheres na faixa etária dos 15 aos 49 anos. As mudanças de hábito das últimas décadas e os níveis de estresse cada vez mais alto, no entanto, têm contribuído para mudanças neste cenário. No Rio Grande do Norte, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde do RN o infarto matou 1.120 mulheres nesta faixa entre 1996 e maio deste ano.

No período, foi registrado um aumento de cerca de 350% no número de óbitos. Somente no ano passado, foram contabilizadas 59 mortes, mesma quantidade de 2016. Os registros dos dois anos são os segundos maiores da série, atrás apenas de 2012, com 62 mortes. Em 1996, foram 13 óbitos; em 2023, até maio, foram 18. Em todo o País, o número cresceu 62% entre 1990 e 2019 para a mesma faixa. Já para as mulheres com idades entre 50 e 69 anos, os números apresentaram alta de 176%. Os dados são da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

No caso de Adriana Freitas, que estava na faixa onde a doença é pouco comum, a condição foi associada ao estresse, uma vez que ela não possuía outros fatores de risco. “O médico disse que é uma situação rara de acontecer em mulheres da minha idade. Sempre tive uma alimentação regrada e agora tenho mais ainda. Segundo o cardiologista, eu tive sorte porque o meu organismo reagiu, criando vasos para irrigar a veia”, descreve Adriana.

Para Filipe Rêgo, médico que atendeu a coordenadora disciplinar, o estresse e hábitos como o uso do cigarro, têm influenciado na elevação dos casos em mulheres jovens. “É fato que, além de fumar, elas estão mais estressadas e, consequentemente, acumulam mais fatores de risco para as doenças coronarianas”, explica Rêgo. Segundo o cardiologista, o infarto em mulheres com menos de 55 anos é incomum por causa do período fértil, que protege contra o infarto.

Essa proteção, afirma, começa a cair a partir dos 50. Aos 55 anos, a mulher passa a integrar o grupo de vulnerabilidade para a doença. “Enquanto ela está na fase fértil, os ovários protegem as artérias, por isso, é incomum a gente vê-las ter um infarto antes dos 50, ao contrário dos homens”, descreve o médico. Adriana, hoje com 50 anos, conta que a doença foi uma surpresa, especialmente porque ela sempre buscou ter uma dieta regrada e não faz uso de álcool, nem de cigarro.

Fonte: Portal Tribuna do Norte

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