Dez anos após início do Pró-Sertão, oficinas batem 1 milhão de peças produzidas por mês

Lançado em agosto de 2013, para impulsionar a indústria têxtil e de confecções no interior do Rio Grande do Norte, o programa Pró-Sertão contabiliza bons resultados, embora ainda esteja distante de atingir o nível de crescimento projetado, a princípio, para 2017 – 300 oficinas em atividade. No entanto, em uma década, a evolução é pujante: o número de facções têxteis saltou de 12, em quatro municípios, para 124, em 35 cidades potiguares em 2023. Juntas, elas empregam quase cem vezes mais que no início. Somam cerca de 4.000 empregados ante os 40 de 2013, e, em maio deste ano, superaram a marca de 1 milhão de peças confeccionadas por mês.
Esse volume, informado pela Associação Seridoense de Confecções (Asconf), considerando apenas a produção direcionada para a indústria Guararapes, é 290 vezes maior que o inicial, 3,5 mil peças mensais. E representa algo em torno de 25% da produção da Guararapes. Os demais dados foram apurados junto às instituições e entidades que formam a cadeia de apoio às oficinas.
“É importante que a gente enxergue o crescimento permanente desse programa (o Pró-Sertão), inclusive contratando pessoas. Em 2022, fechamos o ano com uma produção superior a 6,3 milhões de peças e mais de R$ 90 milhões circularam dentro dessas oficinas. É um setor industrial que se desenvolveu bastante, que existe de forma muito sólida, no Estado, por sua capilaridade, pelo número de pessoas, de empresas e de municípios envolvidos”, afirma o diretor regional do Senai RN, Rodrigo Mello.
O Pró-Sertão partiu de uma iniciativa do Governo do Estado, na gestão Rosalba Ciarlini, quando o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico era o atual senador Rogério Marinho (PL), ganhando rapidamente o suporte da Federação das Indústrias do RN (Fiern), do Sebrae e de empresas do setor têxtil, sob liderança do grupo Guararapes, que à época projetava expansão no Estado. A meta do programa era transformar o Seridó potiguar em um polo nacional de confecções.
“Todo o suporte criou um ambiente favorável ao bom desempenho dessas atividades, mas duas coisas foram decisivas. Primeiro, a existência da demanda, naquele momento inicial, especialmente, puxado pelo grupo Guararapes e, agora, por vários atores. Sem ela, isso (o programa) não teria acontecido. E, por outro lado, a natural capacidade empreendedora do povo potiguar. Se não houvesse a demanda, o interesse e a capacidade de montar, de construir a resposta, isso não teria acontecido”, analisa o diretor regional do Senai, instituição que concentra, junto com o Sebrae, a qualificação da mão-de-obra do setor.
O programa nasceu sobre a liderança industrial do grupo Guararapes, mas, atualmente, explica Rodrigo Mello, existe uma gama de empresas, inclusive de outros estados, como Pernambuco e Paraíba, que vêm buscar no RN essa solução de produtos pela qualidade da produção, que evoluiu, nos últimos dez anos, a partir da rede de capacitação estruturada para atender a demanda das oficinas e das empresas contratantes.
Fonte: Tribuna do Norte
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