domingo, julho 5, 2026
Rio Grande do Norte

Em 4 anos, quase 30 mil crianças nasceram de mães adolescentes no Rio Grande do Norte

Foto: Alex Régis/Reprodução 

Com o pequeno Gabriel no colo, Emily (nome fictício) demonstra uma maturidade pouco comum em sua idade. Aos 16 anos, além de adolescente, também é mãe de primeira viagem. Embora os desafios de uma gravidez precoce sejam muitos, ela compartilha: “Eu encaro o processo por conta dele”, em referência ao filho de apenas três meses. Para ela, o suporte familiar tem feito toda a diferença, seja na rotina de cuidados com o bebê, ou no estímulo para reacender outras áreas de sua vida. O cenário não é isolado e soma-se a uma realidade corriqueira entre adolescentes. Em quatro anos, 27.255 crianças nasceram de meninas de 10-14 anos e 15-19 anos no Rio Grande do Norte.

Na maioria dos casos, tratam-se de meninas vindas de situação de vulnerabilidade social. Os dados foram coletados por meio do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) e tabulados pelo Datasus. No Estado, de 2018 a 2021, 1.457 crianças nasceram de meninas com 10 a 14 anos. Entre as jovens de 15 a 19 anos, foram 25.798. No recorte por municípios com registros de ocorrências nos dois intervalos de idade, Natal lidera com 8.606 nascidos, seguido de Mossoró (4.610), São José de Mipibu (2.878), Santa Cruz (2.098) e Macaíba (1.485).

Natural e residente da zona Norte da capital potiguar, que tem mais casos levantados, Emily engravidou aos 15 anos. Ela lembra exatamente o mês que descobriu: outubro de 2022. Na época, já estava com um mês, mas apenas acreditou no teste positivo quando ele foi reafirmado pelo exame de sangue. Além do choque da descoberta pessoal, compartilha, sentiu medo da reação da mãe, com quem morava com as irmãs mais novas. Diferente do que acontece em muitos lares, foi bem acolhida e contou para o namorado, que tinha 17 anos quando começaram a namorar. Desde o início, o jovem também assumiu Gabriel.

Com esse apoio, somado ao da família, a jovem relata ter começado o pré-natal e, com sete meses de gestação, passou a contar com assistência psicológica para lidar com as mudanças desse processo. Em termos de assistência via SUS, relata ter sido sempre bem atendida e, na medida que seu corpo mudava e os sintomas chegavam, não deixou de frequentar a escola. Só parou, de fato, quando teve o filho no dia 29 de maio por meio do parto natural. “Não consegui sentir nada além de dor”, rememora sobre o dia do parto.

Desde então, a rotina e as prioridades têm sido outras, mas aos poucos busca resgatar outras esferas da sua vida. Na próxima semana, por exemplo, um novo desafio a aguarda: o retorno à escola. Isso porque, apesar de ter recebido as atividades durante os últimos três meses, agora tem responsabilidades de mãe. Emily não nega os desafios, mas sempre demonstra gratidão ao falar do pequeno Gabriel. “Esse menino é minha vida”, compartilha sorrindo ao olhar para o filho.

Fonte: Tribuna do Norte

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