sexta-feira, junho 26, 2026
Rio Grande do Norte

Pesquisa no RN reforça a importância dos recifes de corais na purificação do ar


No litoral do Rio Grande do Norte, uma pesquisa inovadora tem chamado a atenção da comunidade científica para um aspecto menos conhecido dos recifes de corais: sua capacidade de contribuir para a purificação do ar. Além de sua já reconhecida importância para a biodiversidade marinha, os corais agora são vistos como aliados potenciais no enfrentamento às mudanças climáticas.

Uma das funções mais importantes dos recifes de corais é a capacidade de absorver algumas substâncias nocivas da atmosfera, auxiliando a regulação da composição química do ar e da água. O pesquisador e professor Natan Pereira, tem desenvolvido uma jornada de pesquisa na Área de Proteção Ambiental dos Recifes de Corais (APARC), administrada pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte – Idema/RN, que evidencia, com bastante análise e monitoramento, que os corais do RN estão absorvendo carbono de queima de combustível fóssil globalmente.

Ele conseguiu constatar que o carbono lançado na atmosfera lá na China, é absorvido no coral em Maracajaú. Em um momento em que o mundo busca soluções para enfrentar as crises ambientais, os corais emergem como aliados indispensáveis na luta pela preservação da vida no planeta.

A contribuição dos recifes de corais na mitigação das mudanças climáticas está intimamente ligada à capacidade natural de capturar e armazenar carbono da atmosfera, a atuação como barreiras naturais para redução da força das ondas e tempestades às zonas costeiras contra a erosão e a rica biodiversidade de espécies como resiliência dos ecossistemas marinhos aos efeitos das mudanças climáticas.

“O que eu faço é utilizar sinais químicos incorporados nos corais para contar um pouco da história climática do nosso planeta. Os corais funcionam como um HD, à medida que vai se desenvolvendo, também vai armazenando uma série de informações. Ele é um organismo muito sensível, e qualquer alteração ambiental pode levá-los à morte. Essa morte sem dúvidas levará às consequências, tanto pela perda da biodiversidade quanto para a economia. Os corais nos mostram como está a situação climática da Terra e como podemos pensar em ideias de conservação”, explicou Natan.

Corais têm a capacidade de absorver dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases de efeito estufa. Durante o processo de calcificação, os corais utilizam o CO2 dissolvido na água para formar seus esqueletos de carbonato de cálcio, removendo-o assim do ambiente aquático. Esse processo ajuda a reduzir a quantidade de CO2 na atmosfera, contribuindo para a mitigação do aquecimento global.

Além do CO2, os recifes de corais também desempenham um papel na absorção de outras substâncias, como nutrientes em excesso provenientes de atividades humanas, que podem causar eutrofização e danificar os ecossistemas marinhos. Os corais, juntamente com outros organismos que compõem o recife, ajudam a filtrar e a manter a qualidade da água, protegendo a biodiversidade marinha.

ASCOM/IDEMA

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