Em 20 anos, Mesa Brasil atinge 25 mil toneladas de alimentos doados no RN

Combater o desperdício e levar comida para a mesa de quem mais necessita. Em atividade há 20 anos no Rio Grande do Norte, o programa Mesa Brasil Sesc atingiu a marca de 25,2 milhões de quilos (25,2 mil toneladas) de alimentos arrecadados e repassados a instituições espalhadas em várias cidades do Estado. Mantido pelo Serviço Social do Comércio (Sesc-RN), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomercio-RN), o programa já beneficiou diretamente 3,2 milhões de pessoas no RN.
Interlocutores do programa, especialistas em segurança alimentar e instituições beneficiadas apontam que o programa tem impactos sociais significativos, uma vez que milhões de famílias no Estado são afetadas com a falta de comida na mesa.
Segundo o IBGE na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), o RN possui 167 mil pessoas em situação de insegurança alimentar grave e outras 261 mil pessoas em insegurança alimentar moderada, totalizando cerca de 420 mil pessoas. A escala utilizada pelo Instituto considera insegurança moderada quando as pessoas da família precisam diminuir a quantidade e qualidade da alimentação e pular refeições pela falta de alimento. Já quando há insegurança grave, as pessoas chegam a ficar sem nenhuma comida por um dia ou mais. Na insegurança alimentar grave, a privação do alimento atinge também as crianças.
“O Mesa Brasil entrou em contato com instituições e empresas onde havia desperdício de alimentos e fez essa ponte: recolhendo esse produto e repassando para instituições que têm esse viés de combate à fome por meio da alimentação”, explica Ivanaldo Júnior, diretor de Programas Sociais do Sesc-RN.
Segundo dados do Sesc, o Mesa Brasil, que tem entre as instituições favorecidas asilos, escolas, unidades de saúde, ONGs e entidades de assistência social, tem um custo anual de R$ 1,7 milhão, recursos que são direcionados para manter uma ampla estrutura e equipes qualificadas.
O presidente da Fecomercio-RN, Marcelo Queiroz, ressalta que a experiência acumulada ao longo de 20 anos de atividades no Estado torna o programa uma referência quando se busca arrecadar doações no RN, situação replicada em outros estados.
“No Rio Grande do Sul, no período das enchentes, o Mesa Brasil virou um posto de arrecadação de todas as instituições do estado e de outros estados que mandavam [donativos]. O que enviamos daqui do RN não mandamos direto para as pessoas, mas para o Mesa Brasil”, explica.
Em 2021, o programa foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) como uma boa prática de combate à fome e promoção da segurança alimentar. Este reconhecimento se deu durante o Prêmio FAO Brasil de Boas Práticas para Sistemas Alimentares Sustentáveis.
Esse tipo de reconhecimento é importante, pois posiciona o Mesa Brasil como um exemplo de atuação social eficaz, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente o ODS 2, que visa acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e promover a agricultura sustentável.
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Tribuna do Norte

