segunda-feira, junho 1, 2026
Rio Grande do Norte

Denúncias de pornografia infantil disparam no RN; psicóloga faz alerta

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O número de denúncias de pornografia infantil recebidas pela SaferNet Brasil cresceu 114% após o influenciador Felipe Bressanim, conhecido como Felca, publicar o vídeo “Adultização”, em 6 de agosto. Até as 18h de sexta-feira 15, o conteúdo – que mostra como criadores de conteúdo lucram com vídeos sexualizados de crianças e adolescentes nas redes sociais – já havia alcançado mais de 41,2 milhões de visualizações. Entre 6 e 12 de agosto, a SaferNet registrou 1.651 denúncias únicas, ante 770 no mesmo período do ano anterior.

Segundo o presidente da SaferNet, Thiago Tavares, “há anos, o tema do abuso sexual infantil online não gerava um debate tão grande na sociedade brasileira, e a repercussão do vídeo, obviamente, estimulou as pessoas a denunciar”. O conteúdo de Felca denuncia a distribuição de vídeos de abuso pelo Telegram, além do uso de siglas como “cp” (child porn) e emojis para ocultar o material.

No Rio Grande do Norte, os números também preocupam. Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), mostram que, de janeiro até 11 de agosto, foram registradas 91 violações contra a liberdade sexual de crianças e adolescentes. Em todo o ano de 2024, foram 66 casos. A Ouvidoria mantém canais 24h para registro de denúncias, identificadas ou anônimas, pelo Disque 100 ou pelo site oficial.

A psicóloga Geruza dos Anjos alertou que os efeitos psicológicos da sexualização e do abuso sexual são profundos. “A curto prazo, as crianças e adolescentes podem apresentar medo e elevação da ansiedade; vergonha e culpa, achando-se responsáveis pelo abuso; dificuldade de compreender a gravidade do que ocorre; afastamento de amigos, familiares e atividades diárias; alterações de humor, irritabilidade e choro frequente; queda no rendimento escolar e sintomas físicos como insônia, dores de cabeça ou de estômago”.

A longo prazo, os efeitos podem evoluir para transtornos de estresse pós-traumático, depressão, ansiedade, baixa autoestima e comportamentos autodestrutivos. “É como se a pessoa revivesse o trauma através de pesadelos e hipervigilância. Aparecem tristeza persistente, desvalorização, baixa autoestima e autoimagem distorcida, comportamentos destrutivos e dificuldades na autoconfiança”, explicou.

Geruza frisou a importância de observar sinais comportamentais. “Observar o uso por muito tempo do celular ou do computador de forma secreta, ou seja, que não quer que os adultos ou responsáveis vejam, apagando o histórico de navegação e tentando se manter mais tempo isolado. As oscilações de humor e o desempenho escolar também devem chamar atenção, assim como a dificuldade de concentração”.

Diálogo protege crianças

Segundo a psicóloga, prevenir e minimizar os efeitos do abuso exige um ambiente de diálogo seguro, baseado na confiança e sem julgamento, para que a criança ou adolescente se sinta à vontade para falar.

“Também é importante fornecer educação de segurança digital desde cedo, explicando como preservar a privacidade, os riscos e reduzir o uso da internet de forma equilibrada, ajustada à idade, com supervisão que não seja invasiva. Se necessário, é recomendável recorrer à ajuda profissional”, alertou.

Geruza dos Anjos reforçou que a atenção e o apoio dos responsáveis são essenciais. “A criança ou adolescente pode sentir muito medo e vergonha. E, a longo prazo, podem surgir efeitos emocionais e psicológicos graves que precisam de tratamento. O apoio próximo oferece segurança e ajuda a buscar ajuda especializada”.

Saiba mais aqui.

Agora RN

Spread the love