terça-feira, maio 26, 2026
Rio Grande do Norte

Idosa de 84 anos internada com suspeita de intoxicação por ciguatera morre em Natal

Foto: Reprodução/Redes Sociais

A idosa Maria das Dores do Nascimento Batista, de 84 anos, morreu na noite dessa segunda-feira (25) em Natal. Ela estava internada desde o fim de abril, com quadro de suspeita de intoxicação por ciguatera, depois de passar mal após consumir peixe.

Segundo familiares, o pescado teria sido comprado em uma feira livre da capital e preparado para um almoço. A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes que vivem em áreas de corais e recifes contaminados por ciguatoxinas. Peixes pequenos comem essas algas e acabam passando a toxina para os peixes maiores e carnívoros. Quando o ser humano consome um desses pescados de médio ou grande porte, a intoxicação acontece, podendo causar sintomas que variam de enjoos a problemas neurológicos.

O corpo de Maria das Dores foi velado em Sítio Ponciana, comunidade da cidade de Alto do Rodrigues, onde ela morava, no interior do Rio Grande do Norte. O enterro estava marcado para as 16h no Cemitério Municipal João Mucuripe.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) Natal informou que a idosa deu entrada hospitalar há cerca de um mês com sintomas de agravamento após o consumo de pescado, sendo investigada a hipótese de intoxicação por ciguatera.

O Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS Natal) segue investigando o caso, tendo realizado a coleta das amostras da paciente e enviado para a análise no laboratório de referência, localizado fora do estado. O processamento do exame apresenta um período mais extenso para ser realizado. A pasta pediu prioridade, mas segue aguardando a liberação do resultado.

“Em 2026, até o momento, já foram registrados 31 surtos relacionados ao consumo de peixes, em que, em 19 dos casos, foi possível realizar a coleta de amostras dos alimentos envolvidos e submetê-las à análise laboratorial. Dentre eles, sete foram confirmados para ciguatoxina, um apresentou resultado positivo para histamina, dois tiveram resultado negativo, e nove seguem aguardando resultados laboratoriais. De cerca de 100 pacientes investigados com sintomas compatíveis com a intoxicação por ciguatera, apenas o caso desta segunda-feira (25) apresentou evolução para óbito, mas o caso segue em investigação, aguardando resultado laboratorial para confirmação da causa”, informou a SMS, em nota enviada à TRIBUNA DO NORTE.

No Rio Grande do Norte como um todo, foram registrados 131 casos de ciguatera neste ano, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde Pública (Sesap). Desses, 20 foram casos confirmados em laboratório (análise do pescado consumido). Ainda segundo a pasta, nenhum óbito por ciguatera foi confirmado e, atualmente, existem 64 pessoas com suspeita da intoxicação.

Ciguatera

As ciguatoxinas que provocam a ciguatera são incolores, inodoras e insípidas, não sendo eliminadas por métodos convencionais de cozimento, congelamento, salga e defumação. Uma vez presente no pescado, a toxina permanece ativa mesmo após preparo e digestão. As maiores concentrações das toxinas estão presentes na cabeça, vísceras e ovas dos peixes.

Não existe tratamento específico ou antídoto para a Ciguatera. O manejo baseia-se em medidas de suporte e tratamento sintomático, incluindo hidratação, analgesia, controle de náuseas e acompanhamento clínico.

Sintomas

Os principais sinais e sintomas aparecem entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado, caracterizados por: dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dores de cabeça, cãibras, coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca, podendo persistir por semanas ou meses.

De acordo com a Nota Técnica da Sesap, as principais recomendações à população são: procurar imediatamente os serviços de saúde diante de sintomas compatíveis, informando o consumo de pescado nas últimas 48 horas; identificar a espécie consumida e preservar sobras do pescado, acondicionadas e congeladas, para posterior coleta pela Vigilância Sanitária; e evitar o consumo de pescados associados a relatos de intoxicação por Ciguatera, especialmente aqueles de procedência desconhecida.

As equipes de Saúde devem notificar os casos suspeitos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), à Secretaria Municipal de Saúde e à Secretaria Estadual de Saúde (CIEVS, CIATOX/RN, Vigilância Epidemiológica e Vigilância Sanitária).

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN (CIATOX-RN) pode ser acionado em caso de dúvidas sobre a condução do caso. O Ciatox funciona em regime de plantão 24 horas por meio dos telefones 0800 281 7005 | WhatsApp (84) 98883-9155.

Fonte: Tribuna do Norte

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