Audiência sobre Consciência Negra é realizada na Câmara Municipal de Macaíba

Na manhã desta quinta-feira, a Câmara Municipal de Macaíba, através do mandato do vereador Emídio Jr., realizou uma audiência pública alusiva ao Dia da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro.

Estiveram presentes representantes da comunidade de Capoeiras, das religiões de Matriz Africana, dos grupos de Capoeira, enfim, de diversos seguimentos que representam a herança da cultura africana em nossa cidade. Em suas palavras, dentre outras coisas, o vereador Emídio Jr. cobrou mais atenção para Capoeiras.

“A comunidade quilombola de Capoeiras necessita de mais atenção por parte da Prefeitura. Para termos uma ideia, o asfalto de Capoeiras está horrível, assim como também a Saúde está indo de mal a pior. Falta iluminação pública, Educação de qualidade, incentivo à cultura, enfim, falta muito para que a comunidade tenha a atenção que merece”, declarou.

O babalorixá Leandro de Oxóssi, filho legítimo de Dedé de Macambira, destacou o orgulho de ser descendente de negro e o preconceito com sua religião. “Tenho muito orgulho de ser negro, de ser filho de um pai negro e de minha família ser, praticamente, toda negra. E por ser negro, por ser de uma religião que vem do negro, nós sofremos o racismo religioso”, disse.

Sérgio Nascimento, nascido e criado em Capoeiras, falou sobre os avanços que a comunidade teve nos últimos anos. “Tivemos avanço na minha comunidade na educação, pessoas que como eu estudaram e se formaram e, graças a Deus, estamos conseguindo ao longo dos dias está mais próximo da parcela da sociedade que não nos aceitou por 500 anos”, afirmou.

Alexandro dos Santos, mais conhecido como mestre Canguru, falou sobre a importância social e educacional da Capoeira. “Graças a Deus tenho alunos formados em cursos acadêmicos. Tenho pessoas que não eram nada, mas hoje chegam pra mim e falam que são alguma coisa por causa da Capoeira, que é tão discriminada”, destacou.

A estudante de pedagogia, Ligia Silva, discursou sobre a consciência negra de todos os dias. “Pra nós que somos de Terreiro, da Capoeira ou Pau Furado, nossa militância, ou seja, nossa consciência negra e racial, é 24h. Não preparamos papel para falar, porque nós vivenciamos isso todos os dias, ao sermos ridicularizarmos na rua por sermos do candomblé”, declarou.

O presidente do Partido dos Trabalhadores, Cícero Militão, falou sobre o extermínio da juventude negra. “Mais de 70% dos assassinatos no Brasil são de negros e negras. Pessoas que têm a vida interrompida por falta de políticas públicas. Um dado que passa batido é: quantos negros e negras foram assassinados em nossa cidade este ano?”, questionou.

Compartilhar