Carta aberta a Ana Virgínia

Quando soube da passagem repentina e tão surreal de Judson, nosso amigo, esposo de Ana Virgínia, nossa amiga do coração, compartilhei um mini vídeo de um bougainville do meu jardim – porque não há nada mais a cara dele do que um belo jardim, uma de suas paixões – com as seguintes palavras:
A vida é o aqui e agora
É o imponderável
É inexplicável
Num segundo é
No seguinte, tudo mudou
Amar, sonhar, realizar, partilhar
Doar, se doar, respirar, agradecer
Viver é verbo que se conjuga
No presente e no plural
Ao seu modo, na mansidão do seu jeito muito particular, poucas palavras para alguns, muitas palavras para poucos, Judson viveu ao seu modo. Plantou tantas sementes que nem somos capazes de mensurar. A família linda que construiu, os filhos, as amizades cultivadas no cotidiano e no trabalho, as pessoas que ajudou. Ele, que tinha um amor contagiante pelas plantas, cultivou um jardim tão lindo em sua casa e amava compartilhar plantas com os amigos, semeou jardins onde pode. Será impossível olhar para nossas orquídeas e palmeiras e não lembrar de Judson.
A vida pede equilíbrio, mas viver é urgente, é presente, é agora. De repente, tudo muda. E ficam as lembranças dos bons momentos vividos, das lições aprendidas nessa urgência vivida. Porque o amanhã, de tão planejado, de tão pensado, de tão adiado, pode nem existir.
Virgínia, ao lado de Judson, você amou, sonhou, construiu, viveu. Por você e por seus filhos, você seguirá, um dia após o outro, honrando a história que vocês partilharam, com a fé em Deus que vocês fortaleceram juntos.
Flávia Urbano.

