quinta-feira, abril 30, 2026
Flávia Urbano

Como é difícil a despedida

Quando crianças, aprendemos sobre o ciclo da vida e aquilo tudo nos parece tão natural, tão descomplicado. Nasce, cresce, pode se reproduzir, envelhece e morre. Aí, perdemos nosso animalzinho de estimação ou alguém muito querido e importante e nossa perspectiva sobre o fim desse ciclo muda radicalmente.

Sou uma pessoa espiritualizada, acredito que a vida não acaba aqui, tenho fé em Deus e creio que nenhuma folha cai da árvore sem que Ele permita. Mas nada disso torna a despedida mais fácil. Nenhuma palavra de consolo faz sentido, por mais amorosa que possa ser, por mais racional até que possa ser. Porque os sentimentos que carregamos são mais fortes. Não só o nosso amor pelo outro, mas nosso amor próprio e nosso egoísmo.

Experimentei, nos meus 42 anos nesta vida, poucas perdas de pessoas muito próximas. Tenho a sorte de ter familiares longevos e amigos saudáveis. Mas foram perdas suficientes para comprovar a tese: o tempo não faz a saudade passar, mas nos faz nos acostumarmos com a ausência. O que naturalmente não impede o choro. No meu caso, por minhas crenças e saber que nossa conexão com entes queridos permanece após a morte, acho importante reprogramar os pensamentos, não lamentar, não me martirizar. Lembrar com afeto e com a consciência de que um ciclo se encerrou para um novo começar, em outro plano.

Decidi falar sobre esse tema porque nesta semana perdemos nosso cachorro, Braddock. O pitibull mais amoroso que já pisou na Terra. Eu não o queria de jeito nenhum, por todos os preconceitos quanto à raça. E paguei com a língua. Ele foi muito amado e muito cuidado. Esse texto é também pra dizer que ele teve, até o último minuto, o melhor tutor/pai que poderia ter tido. Que não dava só os melhores cuidados que podia dar, mas que o deu muito amor, que mudava a voz, como se estivesse falando com nossos filhos bebês, para falar com nosso Braddock, que respondia imediatamente balançando o rabo com tanta alegria que o fazia sacudir inteiro. O céu dos cachorros está em festa, enquanto estamos ainda muito tristes. O tempo ainda não passou o suficiente para nos acostumarmos com sua ausência.

Flávia Urbano 

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