Dengue e o pacto coletivo pela saúde

A saúde pública depende essencialmente de um pacto coletivo. Fomos acostumados, enquanto sociedade, a cobrar as ações do poder público, depositando nisto todas as fichas para o melhor resultado, mas não aprendemos que precisamos, cada um de nós, fazer a nossa parte. Não há outro caminho.
De repente, fomos surpreendidos com uma pandemia, uma doença até então desconhecida, onde a única coisa que nos garante a não contaminação pelo vírus da covid-19 é evitar o contato com pessoas contaminadas. Você pode fazer tudo certinho, mas se a outra pessoa não fizer, poderá adoecer. Rapidamente, pactuamos a necessidade do afastamento, mudamos nossas rotinas, para preservar vidas e evitar o colapso da rede pública de saúde.
Por que com a dengue e as demais arboviroses – doenças causadas por vírus transmitidos, principalmente, por mosquitos – e bastante conhecidas por todos nós, não conseguimos? Por que, ano após ano, sempre que o período chuvoso é mais intenso, vemos os casos pipocarem e nada fazemos? Há quanto tempo os poderes públicos fazem campanhas educativas sobre o ciclo do mosquito aedes aegypti e sobre o que devemos fazer para evitar a proliferação do inseto?
Quem aponta o dedo e cobra que prefeituras e governos combatam o mosquito, coloquem carros fumacê na rua e disponibilizem estrutura adequada de saúde, está fazendo a sua parte e cobrando que os vizinhos façam o mesmo?
Se tem algo que ninguém pode fazer por nós é a nossa parte.
Flávia Urbano.

