EAJ inicia projeto de matrizes de umbu-cajazeiras

Para fortalecer a cadeia produtiva da fruticultura no Estado, a Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ/UFRN) iniciou o projeto “Estabelecimento de matrizes de umbu-cajazeira (Spondia sp) na Área de Experimentação Agronômica da Escola Agrícola de Jundiaí”. A ação visa inserir tecnologias de produção e diversificação de espécies com elevado potencial econômico e social para os fruticultores da região. A implementação ocorrerá por meio de ações de pesquisa, estruturação para capacitação de produtores, produção e distribuição de mudas de qualidade, assistência técnica direcionada para qualificar e ampliar a capacidade de áreas produtivas.
No início deste mês, a equipe envolvida plantou mudas de umbu-cajá com o objetivo de formar matrizes para que o material das plantas seja utilizado na implantação de trabalhos científicos. A utilização se dá, por exemplo, por meio da colheita dos frutos para plantio de novas árvores e retirada de material propagativo, como estaquia, processo que usa um fragmento da planta, visando regenerar as partes faltantes, e material para enxertia, processo pelo qual se faz a união íntima entre duas plantas de maneira que se cria uma interdependência na qual uma não pode sobreviver sem a outra.
O umbu-cajá foi o fruto escolhido por ter uma importância agro-socioeconômica no nordeste, dado que as polpas, sucos, sorvetes e picolés são muito valorizados, assim exercem um importante papel no incremento de renda de produtores familiares. As plantas demoram cerca de dois anos para proporcionar a colheita dos primeiros frutos, e a partir deles, pode ser realizado o plantio para fazer novas mudas. Mas o clima durante o ano também pode influenciar no aumento do tempo para a produção de frutos. Quanto ao material vegetativo, como pedaços de ramo para se fazer enxertia em demais mudas pequenas, por exemplo, podem ser retirados entre um ano e um ano e meio.
O programa pretende trabalhar com tecnologias que abrangem a produção de mudas de qualidade, visando o acompanhamento técnico, de base agronômica e agroindustrial. Em seu processo inicial, a área foi preparada para a abertura das covas, com a adubação de fundação e correção com calcário, que age como um neutralizador da acidez do solo. A partir disso, as mudas são plantadas e, em seguida, ocorre o processo de manutenção dessas plantas em campo para realizar os tratos culturais, principalmente a poda por condução.
A professora Wiara de Assis, responsável pelo projeto, fala sobre essa fase do trabalho. “Como são espécies de porte arbóreo, não deixamos elas crescerem livremente. A gente vai orientar esse crescimento fazendo podas para ter a planta com a copa aberta, que possibilite colheita de frutos e possibilite que a luz do Sol penetre nessa copa, que é um dos grandes objetivos, principalmente do ponto de vista da fitossanidade: evitar, por exemplo, que a planta tenha doença provocada por fungos. E também para a qualidade do fruto, por isso é importante que a gente oriente o crescimento dessas plantas com a poda. Além da poda, as adubações de condução, de produção e de manutenção”, comenta.
O coordenador do projeto, Alex Andrade, ressalta as vantagens do cultivo do umbu-cajá. “Espécies de Spondias são rústicas e tolerantes ao estresse hídrico, desse modo podem ser uma alternativa de diversificação para o agronegócio da fruticultura nas regiões semiáridas. além dos benefícios que trará a diversas famílias inseridas na cadeia produtiva da fruticultura do estado, as ações também possibilitarão a integração dos estudantes de ciências agrárias dos cursos técnicos profissionalizantes e de graduação no processo produtivo”, disse o técnico em Agropecuária.
Segundo a professora Wiara, o trabalho realizado pode ser fornecido à comunidade externa. “Esse material genético veio da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). Lá eles já trabalham com esses materiais, então são materiais que a gente sabe da procedência, e podemos propagar, fazer mudas a partir dele. Essas mudas podem ser usadas para novos trabalhos ou pode ser feito, por exemplo, dependendo do volume de mudas, fazer uma ação de distribuição para produtores para estabelecimento de umbu-cajazeira em pequenas propriedades”, esclarece.
Para o diretor da EAJ, Max Lacerda, a realização do trabalho com a plantação de umbu-cajá é importante para os estudantes e para a cadeia produtiva. “A espécie plantada tem uma importância econômica significativa pois é muito usada pelas indústrias de polpa de frutas e sorvetes da região Nordeste. Propiciar aos nossos estudantes essa área demonstrativa permite qualificá-los em todas as etapas desde o cultivo até a pós colheita”, comenta.
EAJ/UFRN

