MACAÍBA: CURIOSIDADES

Valério Mesquita*
mesquita.valerio@gmail.com
1. Um fato pitoresco que ainda não divulguei aconteceu na luta política municipal de 1968, em Macaíba. A protagonista principal foi a minha tia Amélia Násia de Mesquita Meira, avó materna do médico e pesquisador Olímpio Maciel. Dona Nazinha como era familiarmente conhecida tinha ido a sua terra votar no irmão Alfredo Mesquita, candidato a prefeito pela quarta vez. A campanha transcorrera em clima de agitação permanente, o que era comum em Macaíba. Lá pelas 10 horas da matina, sob o sol escaldante de um domingo de eleição, os governistas denunciaram inveridicamente que seu Mesquita estava promovendo aglomeração dentro de sua residência a fim de comprar votos. O juiz eleitoral, incontinenti, despachou o delegado de polícia local a fim de bloquear a frente da casa e não mais permitir a entrada de ninguém. Minutos depois, aparece em cena a irmã do candidato que retornava da secção eleitoral. Ao se deparar com o aparato foi logo impedida por um soldado. Conhecendo, de há muito tempo, o tenente, foi ter com ele. “Delegado, que palhaçada é essa em frente à casa de Mesquita? Esqueceu os favores que ele lhe fez?”. De forma ponderada o polícial explicou que estava cumprindo ordens. “Que ordens? Eu nasci nesta casa e agora sou proibida de entrar?”. Ai revelou-se a têmpera de Dona Nazinha (70 anos), mulher corajosa e espartana que não se submetia aos poderosos. Sacou da inseparável sombrinha e desfechou duas lapadas no peito do delegado, dizendo: “Saia da frente pois eu vou passar”. E entrou sob aplausos da galera revoltada com a truculência da justiça e da polícia. Figura inesquecível.
2. Nomes esquisitos e originais de algumas ruas da cidade têm chamado a atenção dos curiosos. Araçá, Gondelo, Benjamim, Pernambuquinho e do Fio. Araçá, por exemplo não precisa ir muito longe. Seu topônimo provem de uma árvore da família das mirtáceas, abundante na região, perto da Escola de Jundiaí cujo fruto é o araçazeiro. Já o Gondelo, às margens da BR 304 e do rio Jundiaí, reflui a tradição oral de antigos moradores que denominaram as pequenas embarcações à remo de gôndolas, nas quais navegavam até o centro da cidade. Por outro lado, Benjamim advém de 1891, quando era intendente o coronel Manuel Joaquim Freire que “batizou” a rua em memória do líder republicano da época Benjamim Constant Botelho de Magalhães, falecido naquele ano. A outra versão que circula é mais remota. Numa família de oito irmãos que ali residiam, o mais novo falecera tragicamente. O fato emocional induziu o povo cognominar o local de rua do Benjamim. A rua Manoel Maurício Freire, conhecida por Pernambuquinho levou essa titulação em razão de ali residirem comerciantes oriundos de Pernambuco. A referida artéria por ficar próxima ao porto facilitava o escoamento e a importação das mercadorias para Natal. A denominação oficial prevaleceu, todavia, porque lá também morou e imperou o coronel republicano Manoel Maurício Freire, seguidor de Pedro Velho. Por último, a rua do Fio, hoje, legalmente José Coelho, tornou-se conhecida popularmente em virtude dos fios da rede do telégrafo se estenderem desde 1881, ao longo do seu leito. Sim, rua como rio também tem leito e alcova. São coisas de nossa Macaíba.
(*) Escritor.

