terça-feira, junho 2, 2026
Macaíba

Quem foi Dona Emília, nome de uma importante rua de Macaíba


Há um logradouro no centro urbano de Macaíba que pouca gente sabe a biografia da pessoa que o denomina. É a Rua Dona Emília (que por sinal é uma das mais movimentadas da cidade. Quem ainda não identificou basta saber que se trata da rua do supermercado Favorito).

Mas, afinal, quem foi dona Emília?

Dona Emília Rodrigues foi uma abnegada professora de Macaíba, que dedicou 59 anos de sua vida à educação das crianças e jovens da cidade.

Nascida no ano de 1863, em São José do Mipibu-RN, cursou seus estudos primários com a professora Florência Anália Cesar de Albuquerque, esposa do capitão Hermano Clementino Cesar de Albuquerque, que também havia sido professor, segundo mencionou Marta Maria de Araújo, em artigo publicado em 2014, na Revista Educação Em Questão (UFRN), intitulado “64 anos de magistério de dona Emília Rodrigues (1863-1946)”.

– Completando os seus 12 anos, deixou os estudos, para obedecer ao “regime” da época, “sendo uma das meninas mais adiantadas da escola de D. Anália”.

Naquela época, uma criança do sexo feminino só tinha o direito de estudar até os 12 anos.

A pesquisa de Marta Araújo aprofunda que a menina Emília Rodrigues percebeu que tinha vocação para lecionar. Então, passados 7 anos, já com 19 anos de idade, estimulada pela sua ex-professora, saiu de São José de Mipibu para “as várzeas do Arenã”, onde começou a lecionar, em 1882, recebendo 500 réis por aluno.

Em 1883, se mudou para Santo Antônio do Salto da Onça, onde permaneceu, cerca de um ano, aproximadamente. De lá, viajou para Araruna-PB, retornando para sua cidade, São José de Mipibu. Por questões que desconhecemos, se mudou definitivamente para Macaíba, onde instalou sua escola, em 1891.

Nas horas vagas, dava aulas em domicílios, incessantemente todos os dias. Havia se tornado um “mestre-escola” (termo tradicionalmente usado para designar o professor de instrução primária, que ensina as primeiras letras e contas).

De acordo com a pesquisa, o inspetor de ensino F. Rodrigues realizou uma inspeção de fiscalização na “Escola de dona Emília”. E ficou entusiasmado com o seu trabalho pedagógico, escrevendo um relato sobre a educadora para o jornal “A República”, edição de 6 de julho de 1946.

– (…) fiquei satisfeito da organização e da ordem que ela imprime a tudo, notadamente na parte que diz respeito a disciplina. Apesar da idade, a MESTRA ainda lê sem óculos, fala alto e dorme a noite toda… Sua sala de aula é bem limpa, arejada dispondo de um mobiliariozinho tosco, mas completo, e de um bom relógio, que comprou, no Recife, por 25$000 Reis, em 1911.

E prosseguiu:

– Dona Emília conversa, com equilíbrio de linguagem, e suas palavras são incisivas, assim: “Só deixo de ensinar, quando Deus quiser.”; “Meu maquinismo é muito forte ainda.”

Segundo saudoso professor Mário Cavalcanti, em artigo para o Diário de Natal, “A tragédia do mestre-escola”, datado de 4 de junho de 1951, dona Emília Rodrigues lecionou por 68 anos e nunca tirou férias, nem licença.

“Ferida por uma paralisia que lhe matou as pernas, mesmo assim, ensinava o dia inteiro até alta noite”, registrou, acrescentando: “A única remuneração que percebia era uma mísera subvenção de Cr$ 100,00 mensais. Nada cobrava de seus alunos”.

Cavalcanti cita que seu bom humor era contagiante.

Com relação ao falecimento de dona Emília Rodrigues, há controvérsia: a pesquisa de Marta Araújo aponta que ela morreu em Macaíba, no ano de 1946; enquanto o artigo de Mário Cavalcanti diz que esse fato ocorreu em 1950, quando a educadora estava com 87 anos.

Pouco tempo depois, a Câmara Municipal lhe homenageou aprovando um projeto de lei denominando seu nome para uma das principais ruas do centro da cidade. É provável que tenha sido na gestão do prefeito Luiz Cúrcio Marinho (1901-1971), que administrou Macaíba de 1948 a 1953.

Infelizmente, a nossa pesquisa não encontrou nenhuma fotografia da saudosa e abnegada professora dona Emília.

Por Rômulo Estânrley

Spread the love