sexta-feira, maio 1, 2026
Macaíba

“Rua da Copa”, em Macaíba, ganha um mural para o Mundial de Clubes e é destaque na imprensa do Estado

Foto: Alex Régis/Divulgação

A Rua Amélia Mesquita, em Macaíba, na Grande Natal, mais conhecida como “Rua da Copa”, voltou a se transformar com as cores do futebol. Inspirado pelo Mundial de Clubes da Fifa 2025, o artista plástico Francisco Wellington, o “Wellington Potiguar”, redesenhou o cenário da via, que ganhou pinturas nos muros, calçadas e no asfalto com símbolos e cores dos times participantes do torneio que acontece nos Estados Unidos desde o dia 14 de junho e segue até 13 de julho, reunindo 32 clubes de diferentes continentes.

Desde 2014, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo, Wellington e os moradores da rua promovem intervenções artísticas no local. “Virou Rua da Copa em 2010. Nós começamos com essa iniciativa de pintar os muros, junto com os moradores, e graças a Deus a coisa funcionou. Isso aqui virou um ponto turístico”, conta o artista, que mora no local desde 1983.

Flamenguista declarado, ele é acompanhado pelo filho, Hyago Phillip, que segue os passos do pai nas pinturas temáticas a cada grande torneio, mas também recebe ajuda dos vizinhos. O apoio da comunidade é fundamental para a realização do projeto, que tem também participação da Prefeitura de Macaíba. “O prefeito disse: ‘O que eu posso conseguir para vocês é o material’. A gente consegue, vocês fazem. Então todos os homens da rua vieram para cá, cada um pegou um balde de cimento, um carro de mão, uma pá, e fizemos”, relata Wellington, reforçando o espírito coletivo da iniciativa.

A cada novo torneio, seja Copa do Mundo, Copa América, Olimpíadas ou até competições femininas, a Rua da Copa ganha uma nova versão. Em 2022, durante a Copa do Mundo masculina, dois murais foram feitos com rostos de jogadores da Seleção Brasileira e ídolos históricos das conquistas passadas. Já na Copa do Mundo Feminina, a rua prestou homenagem às 22 jogadoras convocadas e à técnica Pia Sundhage, com destaque especial para a potiguar Antônia, que teve um muro exclusivo.

“Todo ano, a cada Copa do Mundo, a prefeitura cede o material para mim. Agora é o Mundial dos Clubes. O próximo será a Copa do Mundo de novo”, projeta Wellington, que já pensa nos próximos passos da decoração. O artista também planeja incorporar esculturas em tamanho real de jogadores, enriquecendo ainda mais o cenário da rua. “A minha proposta é esculpir, talvez para a Copa, agora com fé em Deus, a gente vai tentar esculpir alguns jogadores”.

Além da função estética, o trabalho tem impacto direto na valorização do local. A estrutura da rua mudou e ganhou um revestimento em cimento por cima do calçamento. Wellington diz que também foi uma ação conjunta dos moradores. Ele destaca ainda a repercussão nacional e internacional da iniciativa. “Nós tivemos a CNN aqui, os Cavalinhos Fantásticos, entramos com a Ana Maria Braga, Jornal Hoje, Jornal Nacional, Fantástico, Esporte do SBT… Toda a mídia esteve aqui.”

Com o passar dos anos, a Rua da Copa passou a ser destino de turistas e de alunos de escolas da região, que visitam o local para conhecer a arte e a história contada através dos murais. “Nós conseguimos vender esse produto para fora”, afirma o artista, que também tem trabalhos realizados em cidades como Bahia Formosa, Riacho de Santana, São Gonçalo do Amarante e Olho d’Água do Borges, onde deixou pinturas e esculturas em praças e centros culturais ligados ao esporte.

Neste ano, com quatro times brasileiros – Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras – entre os classificados para o Mundial de clubes, a empolgação aumentou. “É uma comemoração de, no caso agora, clubes do Brasil que estão jogando e a gente está aí torcendo”, comenta o vizinho Nestor Oliveira, que também cede o muro de sua casa para as pinturas.

Ele conta que a movimentação na Rua da Copa vai além da arte e se transforma em um ponto de encontro entre os moradores e torcedores da região para assistir às partidas. “A rua é nossa. Trouxe mais vida para a rua. Trouxe mais alegria aqui para o bairro. Virou ponto de encontro. Fica aqui uma turma legal aqui. Fazendo uma brincadeira, comendo alguma coisa, assistindo ao jogo, torcendo”, completa Nestor.

Tribuna do Norte

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