quarta-feira, abril 29, 2026
Rio Grande do Norte

70 animais marinhos morrem encalhados no RN em um mês, maior registro no litoral oriental do estado em 25 anos

Golfinho foi encontrado morto com marca de mordida de tubarão no litoral do RN — Foto: Alinne Botelho/Projeto Mamíferos Marinhos/Reprodução

Pelo menos 70 animais marinhos – entre tartarugas e golfinhos – morreram após serem encontrados encalhados no litoral do Rio Grande do Norte entre o fim de dezembro e este mês de janeiro.

Esse registro é o maior em 25 anos no chamado litoral oriental do estado, de acordo com o projeto Cetáceos da Costa Branca, da Universidade Estadual do RN (UERN), que monitora as praias potiguares desde 1998.

O litoral oriental abrange uma faixa costeira que vai do município de Baía Formosa ao município de Caiçara do Norte.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (24) e mostram um recorte que começou a ser contabilizado no dia 24 de dezembro de 2023, quando animais mortos começaram a aparecer em maior número na costa do estado.

Ao todo, neste período, foram encontrados 72 animais marinhos, sendo:

63 tartarugas marinhas; e
9 golfinhos

Desse total, duas tartarguras sobreviveram.

“É um número que supera, e muito, todos os nossos registros de 25 anos de estudos que a UERN realiza no litoral do Rio Grande do Norte”, disse o biólogo Flávio Lima, coordenador do projeto Cetáceos.
Em um mês, 72 animais marinhos foram encontrados encalhados no RN

O professor relatou que o projeto chegou a atender, em um único dia, cinco animais encalhados em praias do estado.

Um dos golfinhos, da espécie boto-cinza, apresentava uma mordida de tubarão, apontou a necrópsia feita pela equipe do projeto. Ele se tornou presa depois de se enroscar em uma rede de pesca.

“Possivelmente emalhou-se numa rede, foram feitos cortes no corpo pra liberar o animal da rede, e, na sequência esse animal foi predado. A necropsia aponta essa sequência de fatos”, disse o professor.

A Associação Tubarões da Costa do RN explicou que o tubarão é um predador oportunista e se aproveita de golfinhos enfermos ou filhotes, o que ocorreu neste caso. A associação diz que o caso não indica que haja qualquer desequilibrio ambiental e nem riscos à população.

g1 RN

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