sexta-feira, abril 17, 2026
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CNJ: Dia Nacional da Adoção – famílias driblam a pandemia e realizam o sonho de adotar

Receber uma criança em casa muda a rotina de qualquer casal. Se forem gêmeos, o trabalho chega em dobro. E se forem quatro crianças? E se essas elas tiverem idades diferentes e um histórico familiar sensível? Pior ainda: passar por essa experiência no meio de uma pandemia mundial. Quantos aceitariam o desafio? Essa é a história do casal de professores Gildete Rainha Lima, 47 anos, e Marcelo Emanuel dos Santos, 55, moradores de Brasília, e que, há seis meses, adotaram os irmãos cariocas Jenifer, 11, Jamile, 8, Ana Beatriz, 5, e Deyvid, 3.

“Foi tudo on-line. Os primeiros encontros, a aproximação. Nós aqui em Brasília e eles, no Rio de Janeiro. Para nós, não fez diferença”, contou Gildete sobre as restrições que a Covid-19 impôs aos processos de adoção. O casal ficou na fila de espera por dois anos, mas nunca pensaram em desistir, mesmo tendo duas mortes causadas pelo novo coronavírus na família. “Sempre quisemos adotar e como não apareciam as crianças no perfil que indicamos (irmãos de até 8 anos), passamos para a busca ativa e uma juíza da comarca de Madureira, no Rio de Janeiro, nos apresentou os nossos filhos”, contou.

De acordo com a professora, após as vídeo-chamadas com as crianças, o casal viajou ao Rio de Janeiro, onde passaram 10 dias morando com as crianças, na fase de adaptação. “Ficamos trancados em casa e a gente nem via televisão para não ficarmos preocupados com a pandemia”, disse. Hoje, passados seis meses de convivência na casa da família em Brasília, Gildete descreve a alegria de ter os filhos em casa. “Tudo mudou na minha vida. Estamos muito felizes. É tudo muito intenso e as crianças têm sede de ‘família’. Nem me lembro mais como era a minha vida sem eles”, conta, emocionada.

Quando o isolamento social começou, Raquel Gonçalves de Melo Ribeiro da Silva, 37 anos, e seu marido, João Moacir Ostwald Farah, 44, ambos advogados, estavam prestes a iniciar o estágio de aproximação com o menino de 7 anos que desejavam adotar, acolhido em Araucária/PR. Sem poderem fazer visitas e passeios nos fins de semana, eles tiveram os primeiros contatos com a criança por videoconferência.

A experiência não foi muita satisfatória, porque, pela idade, o menino interagia pouco no meio virtual. Após uma semana com contatos on-line diários, eles receberam autorização para levá-lo para casa, em Curitiba. “Para nós, foi ótima a possibilidade de termos ele logo conosco, pular fases, tornar tudo mais rápido. E o melhor foi que isso aconteceu num período em que eu e o meu marido pudemos conviver com ele o dia todo, pois, em função da quarentena, estamos trabalhando em casa. Se isso ocorresse em qualquer outra fase, seria mais difícil, pois não poderíamos ficar com ele em tempo integral e ter esse contato mais intenso”, explica Raquel. O processo do casal foi acompanhado e divulgado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR).

Rio Grande do Norte

Dados da Coordenadoria da Infância e Juventude do Poder Judiciário norte-rio-grandense apontam crescimento de 15% no número de adoções efetivadas no estado entre 2019 e 2020, ressaltando que mais de ¾ do ano posterior foram marcados pela pandemia do novo coronavírus.

Atualmente, a CEIJ/RN destaca que existem 500 pretendentes à adoção cadastrados e 48 crianças e adolescentes aptos a serem adotados. A maioria é formada por adolescentes entre 13 e 17 anos.

O juiz José Dantas de Paiva, coordenador do órgão, ressalta que ainda há todo um caminho a percorrer em favor do crescimento de adoções no RN. Para o magistrado é fundamental realizar eventos como a Semana Estadual de Adoção, que este ano, acontece de 20 a 29 de maio.

São momentos que auxiliam na sensibilização e conscientização da sociedade sobre o tema.

Saiba mais no TJRN

*Com informações da Agência CNJ de Notícias

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