segunda-feira, abril 20, 2026
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Para Valentim, RN deve se preocupar mais com dengue que com covid

Ricardo Valentim, coordenador do LAIS – Foto: Divulgação/UFRN

O pesquisador e coordenador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS) da UFRN, Ricardo Valentim, em entrevista na manhã desta terça-feira ao Jornal da Manhã na Jovem Pan Natal, falou sobre a situação atual da pandemia de covid-19 no Rio Grande do Norte. Segundo ele, a situação das arboviroses requerem mais atenção hoje no RN do que a covid-19, mesmo com o recente aumento de casos.

O professor Ricardo Valentim aponta que a crescente contaminação pelo coronavírus que estamos vendo atualmente já era esperada, dada a observação de outros estados, como por exemplo Santa Catarina, que desde o mês de abril vem apresentando maior número de casos. Para o pesquisador, a transmissibilidade aumentar não é a questão de maior preocupação, mas sim, é preciso ficar atento se o aumento de casos vai repercutir na parte assistencial. Caso a rede de saúde local seja afetada, aí a preocupação passa a ser maior.

O aumento de casos que vemos hoje no Brasil e que está provocando a volta de algumas medidas de biossegurança, como a recomendação de uso de máscaras em ambientes fechados, está ligado a uma subvariante da ômicron, que causou um pico de casos há alguns meses.

“O que se tem dito no Brasil hoje é que essa é uma subvariante da ômicron, por isso que se tem essa burla às vacinas que nós temos hoje, mas mesmo assim, os imunizantes que nós temos hoje no mundo, ainda confere uma proteção importante com relação a essa subvariante”, disse o professor Ricardo Valentim.

Questionado sobre o poder dessa nova onda de casos, Valentim disse que ainda não é possível mensurar se o impacto será semelhante ao que teve o pico de casos provocado pela variante ômicron.

“Ainda é precipitado falar se esse aumento de casos vai ter repercussão parecida com a ômicrom. Pode até ser menor. A gente tem que observar que o aumento de casos, gripe, influenza, sempre temos todos os anos. O que é que repercute negativamente é quando o adoecimento dessas pessoas leva a um número muito grande de internações”, disse Valentim.

A possibilidade de termos ondas de casos com impacto cada vez menor é atribuída, em grande parte, ao maior número de pessoas vacinadas. O professor Ricardo Valentim explica isso com um exemplo prático em que ele relaciona o pico de casos das variantes ômicron e gama.

“No mês de janeiro, no pico da ômicron, nós chegamos a ter no máximo 120 pacientes internados, mas tivemos duas vezes mais casos na média, do que no pico da gama. Na gama tivemos a metade diária de novos casos, porém tivemos 400 pacientes internados. No pico da ômicron é um cenário diferente porque já tínhamos população vacinada. Mostrando que a vacina realmente cumpre o papel dela que é evitar que as pessoas se internem”, explica Ricardo Valentim que completa: “o equívoco que foi feito aos imunizantes logo no início é que as pessoas acreditaram que tomando a vacina não iam adoecer, mas qual o papel da vacina? é evitar a forma grave da doença, evitar internações”.

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