quarta-feira, maio 20, 2026
Rio Grande do NorteSaúde

Número de transplantes de medula cresce 32,9% em 1 ano no Estado

Foto: Adriano Abreu

Os transplantes de medula óssea no Rio Grande do Norte tiveram um aumento de 32,9%. Segundo o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), publicação da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o Estado passou de 97 pessoas que receberam o transplante em 2020, para 197 no ano passado.

Segundo o Hospital Rio Grande, referência no transplante de medula óssea no Norte e Nordeste, já foram realizadas 68 operações deste tipo de janeiro a 29 de junho deste ano. O número é comemorado por médicos e pacientes, que têm um avanço na saúde graças ao processo.

Existem dois tipos de transplante de medula. No chamado autólogo, as próprias células-tronco do paciente são removidas antes da quimioterapia, e depois transplantadas no paciente. Esse é o tipo mais comum, segundo o médico hematologista James Maciel. Já o transplante alogênico é feito de um outro doador, que pode ser um familiar. “Geralmente é um irmão, filho ou pai, ou do Banco de Medula”, diz o médico.

“Para o transplante autólogo, eu não tenho que aguardar disponibilidade de doador, já que é a própria medula do paciente. O paciente tem só que passar por uma avaliação médica, confirmar a indicação do transplante e fazer alguns exames preparatórios na avaliação global”, comenta Maciel.

Para a cirurgia, o primeiro passo é a retirada das células-tronco que são necessárias para o transplante, com o recebimento de uma quimioterapia de alta intensidade. “Essa quimioterapia é que vai ajudar a matar o câncer de medula ou câncer linfático. E essa quimioterapia é tão forte que poderia também matar de forma definitiva as células que produzem os elementos do sangue. É por isso que ele tira o sangue antes para fazer uma reserva”, explica o hematologista.

Hoje, segundo a coordenadora da Central de Transplantes do Rio Grande do Norte, Rogéria Medeiros, dois hospitais do Estado estão aptos a fazer esse tipo de operação: além do Rio Grande, o Hospital São Lucas também está credenciado.

“O transplante de medula óssea é uma loteria. Eu tenho que encontrar o doador 100% compatível, por isso que é uma lista única no Brasil. Quem precisa de medula óssea, geralmente precisa com urgência, são pessoas que estão internadas. É um pouco diferente dos outros transplantes de órgãos sólidos”, diz Medeiros.

“Se tiver um doador compatível, o transplante é rápido, porque esse doador é chamado pelo Banco de Sangue, tira um fragmento da medula, é processado e feito o transplante. Agora, se não houver doador, essa pessoa vai falecer”, comenta a coordenadora.

Embora o transplante de medula óssea atenda principalmente pacientes com câncer, outras pessoas podem passar pela cirurgia. “Pode ser para outras indicações e também para doenças benignas, que não são cânceres, mas que tem um componente tão agressivo ou grave quanto se fosse um câncer”, diz o médico do Rio Grande, que cita alguns tipos de anemia.

Tribuna do Norte

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