Projeto discute alfabetização para crianças autistas

Não é novidade que a alfabetização infantil de autistas é um desafio para os educadores, visto que, muitas vezes, essas crianças não processam as informações e estímulos da mesma forma que as outras fazem. Observando essa problemática, o Centro de Educação (CE/UFRN), por meio do Programa de Pós-graduação em Educação Especial (PPGEEsp), desenvolve um projeto de pesquisa com o intuito de avaliar os efeitos de um programa de capacitação de professores da rede pública de ensino do Rio Grande do Norte que atua com esse público. Com o título Comunicação Alternativa para Professores de alunos com Autismo: uma proposta interventiva, o estudo age na incorporação de recursos de Comunicação Alternativa e Ampliada (CAA) nas rotinas escolares de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O TEA é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, déficits na comunicação e na interação social, podendo apresentar um repertório restrito de interesses e atividades, sendo possível perceber os sinais iniciais do transtorno nos primeiros meses de vida. Já a CAA trata das interações de pessoas com necessidades complexas de comunicação que contempla o uso de gestos manuais, símbolos gráficos, sistemas assistidos de voz e outros recursos para facilitação da comunicação.
O projeto de pesquisa é constituído de duas etapas. A primeira, no formato de curso teórico, destinado aos professores e gestores do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), onde a pesquisa está sendo realizada, com profissionais de educação, gestores e graduandos dos cursos de Pedagogia e Fonoaudiologia da UFRN. Na segunda fase, os professores construirão, supervisionados pela professora Débora Nunes, recursos de CAA a serem utilizados com os estudantes com TEA.
Segundo Débora, coordenadora da ação, o objetivo geral do projeto, no qual o curso faz parte, é capacitar professores da rede pública de ensino a incorporar recursos de CAA nas rotinas escolares de estudantes com TEA. A ação conta com o apoio de professores convidados, bolsistas e voluntários dos cursos de graduação em Pedagogia e Fonoaudiologia da Universidade. “O trabalho está sendo realizado em um CMEI, localizado nas proximidades do campus central da UFRN, que atende, atualmente, cerca de dez alunos (com autismo)”, explica.
Na etapa prática, os graduandos acompanharão os docentes na implementação dos recursos com as crianças. “Esta fase incluirá a produção de recursos de tecnologia assistiva, como pranchas de comunicação, rotinas visuais e outros materiais a serem utilizados durante a intervenção. O curso discute as práticas baseadas em evidências científicas, incluindo o uso de estratégias visuais que auxiliam a criança com autismo”, pontua a professora.
Débora Nunes destaca que faltam políticas públicas e investimentos na educação inicial e continuada, acarretando na falta de esclarecimentos sobre quem, de fato, é a pessoa com autismo. “É importante que todos aqueles que atuam com crianças com TEA conheçam suas potencialidades e dificuldades. É preciso transpor o conhecimento científico para as práticas escolares. Nesse sentido, a parceria entre escola e universidade é essencial”, reforça.
A docente acrescenta que, em consonância com o que tem sido discutido na literatura científica, o grupo optou por uma formação que busca atender às demandas específicas de um cenário, que tem suas especificidades. “Ademais, estamos focando na formação inicial e continuada, sendo que temos graduandos da Educação e Saúde, e professores que já estão atuando na rede”, esclarece a docente.
Para Gessica Girliane, estudante do curso de Pedagogia e bolsista do projeto, a temática sobre Autismo e Comunicação Alternativa é pouco divulgada, apesar de apresentar importância significativa para as pessoas com TEA. “Ações como essa podem auxiliar o professor na busca por diferentes estratégias em sala de aula, capacitando professores da Rede Pública de Ensino, levando em consideração discussões e trocas de conhecimentos”, conclui a estudante.
Agecom/UFRN
