sexta-feira, junho 19, 2026
Rio Grande do Norte

Delegado aponta retaliação de facção como motivação de atentado contra vereador de Mossoró

Foto: Cláudio Júnior/CMM

A investigação do atentado ocorrido em Mossoró, que resultou na morte do assessor parlamentar Alyson Dyego de Oliveira Morais e deixou ferido o vereador Cabo Deyvison, aponta que o crime teria sido uma retaliação de organização criminosa.

A informação foi confirmada pelo delegado Márcio Lemos, diretor da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (19), na Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social do Rio Grande do Norte (Sesed), em Natal.

Segundo o delegado, embora todas as hipóteses sigam sendo analisadas, o conjunto de provas reunido até o momento indica que a motivação estaria relacionada à atuação política do vereador no enfrentamento a grupos criminosos.

“O conjunto probatório que até então foi alicerçado para comprovar e decretar a prisão preventiva dos membros, apontam que a motivação foi a retaliação da organização criminosa que o vereador combate, então vem em função da atuação política dele de combater essa organização criminosa”, afirmou.

Márcio Lemos acrescentou ainda que os investigados já possuíam histórico de confronto com forças locais de segurança e com grupos rivais, dentro de um contexto de disputa entre facções. Segundo ele, esse cenário contribui para o aumento da criminalidade na região, envolvendo a atuação de organizações como o Comando Vermelho.

“Nós temos o histórico desses indivíduos, que já foram presos. Também agiram em confronto com a equipe local, com a facção local. Esse é o viés que está demonstrando o aumento da criminalidade em Mossoró”, disse o delegado.

Investigação avança com novas provas

A investigação sobre o atentado avançou com a identificação de novos elementos considerados relevantes para o inquérito. Entre os desdobramentos mais recentes, a Polícia Civil localizou um esconderijo utilizado pelos suspeitos no bairro Maísa, em Mossoró, onde foram apreendidos um fuzil calibre 5.56, uma pistola calibre 40 e munições. O material recolhido será submetido à perícia para confirmar se foi utilizado na ação criminosa.

De acordo com os investigadores, o planejamento do crime teria começado dias antes da execução. O veículo usado pelos suspeitos teria chegado a Mossoró dois dias antes do atentado, indicando preparação prévia da ação.

As apurações também apontam que uma movimentação de R$ 10 mil identificada no celular de um dos investigados seria destinada ao custeio das despesas do grupo durante a permanência na cidade, até a realização do crime.

Outro avanço no caso veio a partir de exames papiloscópicos realizados pelo Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep), que identificaram impressões digitais dos dois suspeitos já presos no interior do veículo utilizado no atentado.

Com as novas evidências, as forças de segurança informaram que as diligências seguem em andamento para esclarecer completamente a dinâmica do crime, identificar outros possíveis envolvidos e responsabilizar todos os autores.

Tribuna do Norte

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