quinta-feira, setembro 24, 2026
Brasil

Associação de vítimas não concorda com processo contra Netflix por série sobre incêndio da boate Kiss

Cena da adaptação produzida pela Neflix que reproduz vigília de familiares das vítimas. Foto: Guilherme Leporace/Netflix

Por meio de uma nota divulgada neste domingo (29), a Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da tragédia de Santa Maria comunicou que se sente “representada” pela série produzida pela Netflix a respeito do incêndio da boate Kiss e pelo livro que deu origem à produção – Todo Dia a Mesma Noite: a História Não Contada da Boate Kiss, de Daniela Arbex.

A manifestação tem teor oposto ao que foi divulgado recentemente por um grupo de pais e moradores da cidade que se disseram pegos de surpresa pela série e que não concordam com o uso da história para fins lucrativos.

Segundo o texto publicado em redes sociais e assinado pelo presidente da associação, Gabriel Rovadoschi Barros, os familiares estavam “cientes que a produção estava sendo realizada com base nos personagens do livro”, e a entidade “sente-se representada” pela criação da Netflix e pelo livro.

A nota sustenta ainda que a produção “não retrata de forma individual os 242 jovens assassinados, mas sim um recorte das quatro famílias de pais que foram processados. Todos familiares de vítimas e sobreviventes retratados por personagens da obra estavam cientes e em concordância”. O trecho faz alusão a pais que foram processados por integrantes do Ministério Público por terem feito críticas à atuação deles no caso.

A associação reitera que não está movendo nenhum processo contra os responsáveis pelas obras, e nem pretende fazer isso, por acreditar “na potência das produções na luta por justiça e a luta por memória”.

Em sentido contrário, o empresário Eriton Luiz Tonetto Lopes, que perdeu uma filha de 19 anos no incêndio, havia afirmado que um outro movimento de pessoas envolvidas no episódio não quer dinheiro dos produtores, mas não concorda com a utilização do episódio para geração de lucro.

— Queremos entender quem autorizou, quem foi avisado, porque muitos de nós não fomos. Há pais passando mal por causa da série. O mínimo que exigimos agora é que uma parte do lucro seja repassada para tratamento de sobreviventes e para a construção do memorial da Kiss. Nós não queremos nenhum dinheiro para nós — disse Eriton, conforme reportagem publicada no sábado (28) por GZH.

Saiba mais aqui.

GZH

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