domingo, maio 3, 2026
Rio Grande do Norte

Atendimento a vítimas de acidentes de motos cresce 12,7% no Walfredo

Foto: Alex Régis

Maior hospital público do Rio Grande do Norte, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HEWG) apresentou uma alta de 12,72% no tocante a atendimentos a vítimas de acidentes de motos entre janeiro e outubro de 2023 em comparação com o mesmo período de 2022. Foram quase 7000 atendimentos (6.998) registrados no Walfredo, o que dá uma média mensal de 700 pacientes vítimas de acidentes.

O mês de outubro foi o que mais registrou atendimentos a vítimas de acidentes de motos, com 764 registros, superando a média mensal. Para o diretor geral do Walfredo Gurgel, Tadeu Alencar, os dados são um exemplo de sobrecarga da rede, em especial da unidade, que atende situações de média e alta complexidade de casos de ortopedia vindos de vários locais do Rio Grande do Norte. Dos 6.998, 34,15% foram internados no próprio HEWG, totalizando 2.309. A ortopedia, por exemplo, representa 66,49% dos atendimentos, com cirurgia geral e neurocirurgia 19,04% e 11,67%, respectivamente.

“Esse volume de atendimentos tem um custo muito alto para todos os envolvidos. O hospital e rede com um todo ficam sobrecarregados, muitas vezes até com casos leves, sendo impedido de dar uma vaga a quem sofre com AVC, infarto e outros traumas graves”, comenta Alencar.

Ainda segundo o diretor, mais de um terço dos casos acaba necessitando de internação e cirurgias. A rede de ortopedia do Estado como um todo tem carência em serviços, com o tema sendo pauta recorrente na saúde pública do Estado com as superlotações do Walfredo e de outras portas para ortopedia.

“As equipes também sofrem com o volume de atendimentos, além de todo o investimento necessário para dar vazão aos casos, incluindo cirurgias e exames, já que mais de um terço dos casos necessita de internação”, complementou.

A faixa etária predominante das vítimas atendidas no Walfredo é jovem, ficando entre 21 e 50 anos. Esse dado pode indicar um impacto social visto ser uma faixa etária em idade produtiva no mercado de trabalho.

O engenheiro civil e analista de trânsito, José Adécio Filho, aponta que o número de atendimentos no HEWG é “muito alto” e que é necessária conscientização dos motociclistas que trafegam pela capital.

“O número é muito alto e reflete um custo para sociedade, não só financeiro, mas pessoal, porque hoje vemos a superlotação do Walfredo Gurgel e boa parte das pessoas que entram lá com politrauma são oriundos de acidentes causados por motos. Precisamos de mais conscientização. O acidente de trânsito, em si, cerca de 90% deles são causados por uma peça, que é o ser humano, seja por excesso de velocidade, alcoolismo, desatenção, imperícia, imprudência. Esses fatores causam os acidentes de trânsito”, disse.

Quem estava no Walfredo Gurgel nesta quarta-feira (08) aguardando atendimento após um acidente de moto foi a namorada do programador Erickson Moura, 27 anos. Sua companheira teve ferimentos na mão e no pé após um choque com um carro em Parnamirim. Erickson é membro de um moto clube, chamado Insanos, que ajudou o casal no socorro e a recuperar a moto.

“Ela vinha sozinha na moto para pegar uma maquiagem. Ela tentou desviar de um carro que parou e acabou batendo o mão e o pé na parte traseira e caiu. A sorte foi que o Samu estava perto e veio para o Walfredo. Fraturou mão e pé e já vai fazer a cirurgia, de limpeza. Não foi nada grave”, disse.

Uma dessas vítimas recentes de um acidente de moto foi a estudante de Direito de 23 anos, Leila Beatriz Mendes. Em março, ela estava indo para atividades de estágio pela manhã quando sofreu um acidente de moto na BR-101 e acabou fraturando seu tornozelo. A estudante estava na garupa da moto com um amigo, que sofreu ferimentos leves. Ela foi atendida no Walfredo Gurgel e chegou a ficar nos corredores.

“Foi uma fratura pequena, mas eu não conseguia andar. O Samu não tinha como chegar por conta do trânsito. Eu estava com dores e meu pé sangrava muito. Fiquei sem opção, pois ninguém parava para ajudar e fui também de moto para ir ao Walfredo Gurgel. Não demorei a ser atendida, fui para a ortopedia, fiz raio-x e tive fratura exposta. Fiz a cirurgia no mesmo dia, tive essa sorte, mas fiquei 4,5 horas na maca nos corredores do Walfredo. Tive que andar de muleta por alguns meses, o que atrapalhou minha rotina no meu trabalho”, lembra.

Considerada uma das principais demandas da saúde pública do Estado, o Rio Grande do Norte terá um novo Hospital de Urgências, Emergências em Trauma e Neurocirurgia nos próximos anos. Para sair do papel, no entanto, ainda é necessário o projeto executivo que está em fase de elaboração na Secretaria de Estado da Infraestrutura (SIN). O valor estimado do investimento é de R$ 190 milhões, recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).

O projeto executivo deve ser entregue no primeiro semestre de 2024 e objetiva atender demandas de média e alta complexidade hospitalar e ambulatorial, da linha de traumato-ortopedia e neurocirurgia. A unidade deverá contar com cerca de 350 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) geral adulto, pediátrica, clínicos e cirúrgicos (adulto e pediátrico).

Fonte: Tribuna do Norte

Spread the love