Atendimentos a pessoas com transtornos mentais crescem 32% em Natal

O número de atendimentos a pessoas com transtornos mentais e comportamentais cresceu 32% em Natal desde 2018. O aumento acompanha uma tendência nacional vista nos números de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Em Natal, a porta de entrada para esse acolhimento é na atenção primária, através das Unidades Básicas (UBS). De acordo com o coordenador de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Luís Fernando Pires, o município também dispõe de policlínicas e cinco Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A reportagem da TRIBUNA DO NORTE visitou uma UBS, CAPS e hospital em Natal para entender o funcionamento da rede.
Conforme dados da SMS, os cinco CAPS da cidade do Natal registraram 32.070 atendimentos em 2021, sendo ofertados serviços de psiquiatria, clínica geral, psicologia, matriciamento, entre outros. É como se três natalenses por hora procurassem atendimento ao longo do ano inteiro. Esse número representa um crescimento de 32,09% quando comparado aos registros de 2018 (24.279). Em 2020, foram 23.711 atendimentos, tendo uma leve redução ocasionada pela pandemia. Segundo o coordenador, esse aumento na procura dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) já era previsto.
“Ainda estamos vivendo um cenário caminhando para o fim da pandemia. Esse incremento na rede já era um diagnóstico situacional esperado, pelos efeitos do isolamento social, desemprego, medo do adoecimento e das perdas familiares durante esse período. É algo que vem sobrecarregando a rede e estamos desenhando novas estratégias de cuidado com novas contratações e capacitações dos profissionais”, relata.
Também baseado em dados do ano passado, Natal foi apontada como a segunda capital do Nordeste com o maior número de pessoas com 18 anos ou mais que relataram um diagnóstico médico por depressão. Com 11,8% dos adultos natalenses nesse quadro, Natal ficou atrás somente de Recife que apresentou índice de 12,5%. Os dados foram tabulados pelo Ministério da Saúde através da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). A SMS informa que os serviços trabalham para evitar internações prolongadas por problemas psíquicos, uso excessivo de psicotrópicos e a situação extrema da depressão, onde há uma ideação e planejamento do suicídio.
“Fomos recentemente absorvidos por esse dado epidemiológico na nossa capital e o primeiro ponto a se tratar é entender as questões multifatoriais da depressão. É uma doença silenciosa e progressiva, não é abrupta, mas sim uma construção. Estamos fazendo o caminho da Educação de Saúde, desde a atenção básica para a média e alta complexidade, justamente para que a gente comece a trabalhar o autocuidado. Estamos incrementando a nossa rede com mais profissionais para atender nas pontas e capacitando cada vez mais”, pontua Luís Fernando Pires.
Quem precisa de atendimento para transtornos mentais em Natal deve procurar alguma UBS ou ir diretamente a um Centro de Atenção Psicossocial, onde a demanda é aberta, ou seja, os pacientes podem se dirigir diretamente a um dos CAPS para acolhimento e início de tratamento. Sobre o atendimento hospitalar, a Secretaria do Estado de Saúde Pública (Sesap) esclarece que caso seja necessário internação, a vaga é solicitada ao Hospital Municipal de Natal ou no Hospital João Machado.
Na UBS São João, bairro de Tirol, zona Leste da cidade, o atendimento psicológico não está sendo realizado. Apesar de contar com uma sala de psicologia, as duas profissionais que atuavam estão afastadas – uma por motivos de saúde e outra para realizar doutorado. A direção do local não tem previsão de restabelecimento do serviço. Em Cidade da Esperança, zona Oeste de Natal, o Centro de Atenção Psicossocial Infanto Juvenil recebe casos vindos por encaminhamento e também por demanda aberta.
O CAPSi atende demandas relacionadas a casos de autismo, transtornos mentais graves em crianças e adolescentes ou também crianças e adolescentes que tenham algum tipo de problema devido ao uso abusivo de álcool e outras drogas. O atendimento é realizado por equipe terapeuta multidisciplinar e dividido por demandas e faixas etárias. “Oferecemos atendimento individual com psiquiatra, fonoaudiólogo e psicólogo. Além disso, oferecemos atendimento em grupos, que são as oficinas terapêuticas, nosso carro-chefe”, explica a diretora Jacira Pereira.
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Tribuna do Norte
