terça-feira, julho 14, 2026
EducaçãoRio Grande do Norte

Educação precisará de até 10 anos para recuperar perdas

Foto: Magnus Nascimento

A educação foi um dos segmentos mais afetados com a pandemia de coronavírus e está começando a retomar suas atividades presenciais, ao passo que busca recuperar o “tempo perdido” com 18 meses no cenário pandêmico. Entre educadores e estudantes, é consenso que o ensino remoto e aulas não presenciais não têm o mesmo impacto das atividades de antes. No Rio Grande do Norte, especialistas dizem não ter um “prazo” de quanto tempo a situação irá se equalizar. A Secretaria de Estado da Educação e da Cultura (SEEC/RN), estima de 5 a 10 anos para que essa situação venha a se normalizar, mas o prazo pode ser maior.

“Não temos um estudo específico da SEEC, mas nos baseamos em estudos nacionais e internacionais e costumo dizer para o pessoal que esse período não foi perdido, mas foi comprometido. Trabalhamos em tentar avançar e tentar desmentir o que as pesquisas apontam, que com esse prazo, que eu planejava que seria fevereiro, só teríamos uma perda de 5 anos. Com esse percurso, a média internacional será de 8 a 10 anos para a recuperação desse mesmo processo”, diz Getúlio Marques.

Apesar do “tempo perdido”, ainda não está na perspectiva da SEEC, a princípio, o acréscimo do número de aulas na rede. A principal medida para recuperar os alunos é a chamada busca ativa, que consiste em orientações pedagógicas para que os professores e gestores escolares possam identificar os motivos os quais aquele aluno não está indo para a escola.

“As vezes é o pai que não quer mandar o aluno pra aula, é um transporte que não tem. Estamos usando o programa do Busca Ativa, da Unicef, que é buscar alunos que se evadem, reprovam. É ir na casa do aluno, de forma georeferenciada”, disse.

Outros pontos também norteiam os planos da SEEC para recuperar os alunos. Um deles é um contrato que está sendo feito para que 40 municípios em situação de vulnerabilidade cibernética possam ter acesso à internet banda larga. A expectativa é que nas áreas rurais, espaços mais carentes de sinal, que a tecnologia via rádio seja implantada nas escolas desses espaços, podendo atingir raios de até 15km, propiciando que o estudante consiga acessar a internet por meio de modens.

Da rede estadual, segundo dados da SEEC, dos cerca de 222 mil alunos matriculados até o final de abril de 2021, cerca de 30 mil deles não acessaram a plataforma do Sistema Integrado de Gestão de Educação (Sigeduc) em nenhum momento, aliado ao fato de que outros 20 mil deles acessaram “menos que a média”, segundo Getúlio Ferreira Marques. As causas para isso, segundo ele, é o fato de que muitos municípios não possuem banda larga, além de que muitos estudantes e famílias não possuem acesso a ferramentas tecnológicas.

“Não significa que eles não fizeram nada. Consideramos que esse grupo dos 20 mil precisam de apoio tecnológico. Em média, digo que de 20 a 25% dos alunos da rede vão precisar desse tipo de apoio”, acrescenta.

Do ponto de vista tecnológico, visto pelo secretário como algo que ficará pós pandemia, é a criação de um Centro de Mídias, um espaço interligado entre todas as Diretorias de Educação para unir aulas ao vivo ou gravadas por parte dos professores da rede.

Outra das apostas da SEEC para o futuro é o ensino profissionalizante. Atualmente, são 11 Centros Estaduais de Educação Profissional (CEEPs), sendo quatro deles em Natal e 54 escolas de Ensino Médio que oferecem o ensino técnico. Os Institutos Estaduais de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte (IERN), que serão 12, visam recuperar o “significado” do Ensino Médio.

Saiba mais aqui.

Tribuna do Norte

Spread the love