Maternidade de Ceará-Mirim fecha e gera sobrecarga em Macaíba


A noite da última quarta-feira (10) foi agitada na Maternidade do Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho, em Macaíba, região Metropolitana de Natal. A unidade hospitalar atingiu a capacidade máxima dos leitos instalados para Obstetrícia. Por causa da alta demanda, alguns leitos foram improvisados nos corredores. No entanto, segundo a diretora do hospital, Glenda Freitas, não houve necessidade de ocupação desses leitos. De acordo com ela, o aumento no número de pacientes no Hospital Regional de Macaíba se deve ao fechamento da maternidade do município de Ceará-Mirim.

“Reconhecemos que quarta-feira foi uma situação inédita. Como a maternidade de Ceará-Mirim está fechada, a rede está sobrecarregada. Mas já está tudo normal”, esclareceu a diretora do hospital. Na manhã da quinta-feira (11) a TRIBUNA DO NORTE esteve na maternidade para acompanhar de perto a situação. Por volta das 11h, dos 30 leitos da unidade, 7 estavam disponíveis. “Tínhamos oito altas médicas agora pela manhã na obstetrícia e à tarde vai ter alta também na pediatria”, disse a diretora na ocasião da visita.

A dona de casa Fernanda Thalia, de 35 anos, estava acompanhando a filha e o neto recém-nascido. Segundo Fernanda, a filha e o neto passam bem e deveriam receber alta nesta sexta-feira (12). “O atendimento aqui foi ótimo quando chegamos e tem sido muito bom até agora”, disse a dona de casa.

Darlene Alves, da comunidade de Mangabeira, em Macaíba, também acompanhava a filha que acabara de dar a luz. “O atendimento foi rápido e muito bom”, comentou. “Agora, os atendimentos de saúde lá em Ceará-Mirim não prestam”, emendou a dona de casa Fernanda Thalia.

No começo deste mês, a Maternidade do Hospital Municipal Dr. Percílio Alves, em Ceará-Mirim, encerrou as atividades. A maternidade funcionava por meio de convênio, com 60% dos recursos advindos de 22 Prefeituras Municipais e 40% de repasses do Governo do Estado. O prefeito de Ceará-Mirim, Júlio César (PSD), alegou que o município está com um prejuízo financeiro de R$ 250 mil por mês causado pelas despesas do convênio, relacionado ao Hospital Municipal Percílio Alves.

Pelo acordo firmado para 2019, os serviços de obstetrícia do Hospital Municipal Dr. Percílio Alves devem atender à população do Mato Grande, ou seja, dos municípios de Ceará-Mirim a Macau. Ao todo, o hospital assistia a 22 cidades, que agora passam a buscar esse tipo de assistência em Macaíba e Natal.

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) informou que se reuniu na segunda-feira (8) com prefeitos e gestores dos municípios do Mato Grande para discutir a pactuação necessária para a retomada dos serviços de Obstetrícia na 3° Região de Saúde. Segundo a Sesap, durante a reunião conduzida pelo secretário Cipriano Maia, a equipe técnica da pasta e os representantes municipais formularam proposta para um novo acerto entre a gestão estadual e os municípios que financiam o serviço de atendimento às grávidas no Hospital Municipal Dr. Percílio Alves.

“Dentro da construção dessa nova proposta de acordo, a Sesap irá promover uma análise dos custos, a partir dos dados apresentados relativos ao serviço prestado ao longo de 2020, e incluir a oferta do pré-natal de alto risco, que atualmente não é feito em Ceará-Mirim. A previsão é de que o custo mensal chegue a cerca de R$ 870 mil, passando a ter um aporte maior dos municípios”, informou a Sesap por meio de comunicado oficial.

“A justificativa para a mudança na divisão é que a gestão estadual mantém como retaguarda, exclusivamente com recursos próprios, a estrutura de obstetrícia do Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho, em Macaíba. A unidade realizou, entre junho e novembro de 2020, mais de 800 partos de pacientes provenientes de municípios de outras regiões, incluindo o Mato Grande”, conclui o comunicado da Sesap.

Veja matéria na íntegra na Tribuna do Norte

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