Projeto desenvolvido pelo ISD amplia diversidade no campo da neurociência é premiado em conferência internacional

Em maio de 2021, neurocientistas de diversas partes do mundo uniram esforços para responder a uma questão comum: como ampliar o alcance de seu campo de pesquisa para engajar jovens estudantes com diferentes bagagens culturais, cores e classes sociais? A pergunta foi levantada na 10ª International Conference on Biomedical and Health Informatics (IEEE EMBS – NER), que aconteceu entre os dias 4 e 6 de maio de 2021 de forma virtual. Para responder à questão, pesquisadores e estudantes do Instituto Santos Dumont (ISD), em Macaíba (RN), submeteram um ensaio que foi escolhido entre os três melhores e premiado pela Comissão Organizadora, contendo uma série de práticas que podem estimular, cada vez mais cedo, a diversidade no mundo da neurociência.

“Três a cada cinco adultos não completaram o Ensino Médio na região do Nordeste brasileiro, e a neuroengenharia pode ser uma ferramenta poderosa para estimular a aproximação de estudantes, da educação primária ao ensino superior”, afirma o texto assinado pelo mestre em Neuroengenharia pelo ISD, Junio Alves de Lima, de 33 anos, natural de João Pessoa (PB), e outros oito estudantes e pesquisadores.

Segundo afirma, o interesse em aproximar ciência e sociedade surgiu ainda na graduação, quando começou a se envolver em projetos de extensão na universidade. No mestrado, viu a possibilidade de continuar a prática dentro do Instituto, onde participou de visitas guiadas com estudantes, e ofereceu palestras em diversas escolas sobre a produção científica feita no local. “O impacto era sempre muito positivo. Nós buscamos mostrar que a ciência e a engenharia estão muito mais próximas do que se imagina. Ensinamos eles a fazer um pequeno microscópio com a câmera do celular, por exemplo. Esse tipo de coisa encanta e mostra que não precisa ser feito por gente de outro mundo, com coisas inacessíveis”, destaca o neuroengenheiro.

Dentro do plano apresentado por Junio Alves e os demais pesquisadores no congresso, há especificidades para turmas de Ensino Fundamental, Médio e Superior, visando sempre a integração de áreas de conhecimento. “O retorno que recebemos de escolas e professores é muito positivo. Criar um espaço em que a curiosidade possa ser estimulada é o primeiro passo para fazer com que as pessoas tenham interesse em seguir por esse caminho, e ampliar a diversidade na área da neurociência”, afirma.

Para a estudante Evelyn Vitória de Oliveira, de 18 anos, que cursa o 3º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Doutor Severiano, em Macaíba, e que em setembro passou a frequentar o ISD diariamente como aluna de Iniciação Científica, o contato com os pesquisadores e projetos transformou sua percepção sobre o que é, de fato, a ciência. “É uma agregação de experiências e conhecimentos que a gente não tem oportunidade de ter no Ensino Médio, e isso transforma completamente a sua visão”, explica a estudante. “O que a gente entende sobre o que é a medicina, sobre o que faz um profissional de saúde, por exemplo, são muitas vezes ideias limitadas e apresentadas dentro de um padrão. Aqui, está tudo ligado: tecnologia, engenharia, saúde, reabilitação. A quantidade de possibilidades que você passa a ver crescem muito. Eu não sabia, por exemplo, que existiam tantas áreas dentro da biologia, que um veterinário pode fazer tantas coisas diferentes”, completa.

O contato com a produção científica e os laboratórios tiveram impacto direto na escolha de carreira da jovem, que deve prestar o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) neste ano de 2021. “Quero fazer medicina e me especializar em neurologia”, declara.

Foto e Texto: ASCOM ISD

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