Styvenson avalia irmã para suplente e diz que mudou de ideia sobre nepotismo

O senador Styvenson Valentim (Podemos) avalia escolher a própria irmã como uma das suplentes em sua chapa na disputa pela reeleição ao Senado. O parlamentar diz que a composição ainda está em avaliação, mas não descartou a possibilidade, admitindo ter mudado de opinião sobre a participação de familiares em cargos públicos.
Segundo o senador, a definição dos seus dois suplentes envolve três possibilidades, sendo uma delas a irmã Anne Kelly Valentim. Um dos critérios para a escolha, de acordo com Styvenson, será a “confiança” para que ele possa eventualmente renunciar ao mandato no futuro, caso decida disputar o Governo do Rio Grande do Norte em 2030 e seja eleito.
Styvenson foi questionado sobre uma possível contradição entre a indicação da irmã e o discurso adotado por ele em 2018, quando se elegeu criticando “oligarquias” e políticos que empregavam familiares. O senador reconheceu que pensava de maneira diferente naquele período. “Foi, no passado. Hoje já não é mais”, declarou.
Ao explicar a mudança, Styvenson afirmou que já considerou o nepotismo necessariamente nocivo, mas passou a entender que um vínculo familiar não deve impedir a participação de uma pessoa qualificada no setor público. “Uma vez eu pensei assim. Eu criticava mesmo a questão de algo que é nocivo, que hoje eu vejo que não é tanto, que é a questão do nepotismo”, afirmou.
O senador argumentou que competência e parentesco não são características incompatíveis. “Se você tiver uma pessoa na sua família que trabalhe bem, quer dizer que não pode ser empregada no setor público?”, questionou. Para ele, a discussão deve considerar a capacidade de quem ocupa a função, e não apenas a relação familiar com o titular do mandato.
Apesar de reconhecer que ainda não tomou a decisão, Styvenson indicou que a confiança pesa a favor da irmã. “É mais fácil a gente confiar em quem a gente conviveu a vida toda, em quem conhece a vida toda”, declarou. O senador informou que ela é mais velha e ressaltou a relação construída entre os dois. “Minha irmã é mais velha do que eu, me ensinou muita coisa, que também corrigi por várias vezes, como ela também me corrige por muitas vezes. Eu acho que pode ser um nome bom”, acrescentou.
A escolha da suplência também está relacionada aos próximos passos políticos de Styvenson. Durante a entrevista, ele admitiu que poderá concorrer ao Governo do Estado em 2030 e afirmou que precisaria ter segurança sobre quem assumiria sua cadeira no Senado durante uma eventual campanha ou afastamento.
“Pode ser”, respondeu sobre ser candidato em 2030. Em seguida, relacionou essa possibilidade ao cenário enfrentado nas eleições estaduais de 2022. “Em 2022, eu fui impedido de concorrer, porque eu não tinha segurança de concorrer com tranquilidade, sabendo que o meu suplente não era aquela pessoa que foi escolhida por mim, não era uma pessoa de confiança e credibilidade”, declarou.
Os atuais suplentes de Styvenson são o advogado Alisson Taveira e a coronel da Polícia Militar Margarida Brandão, nesta ordem.
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Fonte: AGORA RN
