quinta-feira, setembro 3, 2026
Rio Grande do Norte

UFRN recebe registro de simulador que ajuda em diagnóstico de dislexia infantil


Um simulador virtual de leitura usado para identificar sintomas da dislexia em crianças recebeu, na terça-feira, 3, o registro definitivo relativo ao Programa de Computador correspondente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Denominado LEVI, o projeto compreende a criação de um aplicativo web e mobile completo, o qual inclui simuladores para o pré diagnóstico, exibição de imagens e áudios, quizzes com questionários, controle de acessos e resultados. Professora de fonoaudiologia na UFRN e uma das desenvolvedoras do produto, Cíntia Alves Salgado Azoni pontua que o dispositivo foi elaborado em um formato de gameficação, para ver se a pessoa consegue identificar realmente se aquele perfil é de uma pessoa com dislexia ou não.

“Há áudios sobre o histórico daquela pessoa e áudio da pessoa lendo. Tem casos de crianças, adolescentes e adultos, com e sem dislexia. O usuário vai responder no final para ver se ele sabe identificar se aquela leitura é de uma pessoa com ou sem dislexia. Ele funciona como um game mesmo, e pode ser um game em que a pessoa vai ter a pontuação dela, a partir dos casos em que ela for entrar e tentar jogar. Pode também ter o uso coletivo, em uma sala de aula onde todo mundo faz individualmente e tem um ranking no final. Então ele foi pensado para o ensino e para envolver até mesmo a família, pois permite ver se o perfil de uma criança daquela idade é parecido com o do filho, até para levantar o sinal de risco de dislexia”, explica a docente.

O LEVI é uma iniciativa que faz parte do Programa de Apoio à Melhoria da Qualidade do Ensino de Graduação (PAMQEG) e envolveu também como autores Francisco Rubens Silva Costa e Luiza Eduarda Bezerra dos Santos. Eles falam que a motivação que está por trás do desenvolvimento do aplicativo foi a observação de que os alunos de fonoaudiologia tinham dificuldade em saber o perfil de leitura de uma pessoa com dislexia ou de qualquer criança com idades diferentes, em anos escolares distintos.

“Então esse aplicativo foi criado nessa dimensão e a gente observou que ele vai ampliar o raio de ação, não só para estudantes de fonoaudiologia, mas para qualquer profissional que atue na área da leitura. Os usuários poderão entrar e querer ter a noção de como é a leitura de uma criança de nove anos no terceiro ano, ou querer ouvir uma criança com dislexia”, destaca Luiza Eduarda. O Projeto começou quando Luiza e Francisco eram monitores na graduação. Em um momento posterior, Luiza entrou no mestrado e continua no projeto.

“São todos casos reais, pois queríamos que fosse bem próximo da realidade. O simulador está pronto enquanto aplicativo e agora estamos ampliando para inserir mais casos”, pontua Cíntia Azoni. Atualmente ela coordena o Laboratório de Linguagem Escrita, Interdisciplinaridade e Aprendizagem (LEIA), unidade que divide suas atividades em grupos de trabalho temáticos, tais quais Desenvolvimento e Transtornos de Aprendizagem, Vulnerabilidade, Telessaúde, Transtorno do Espectro Autista e Bilinguismo.

No Brasil, o Instituto ABCD estima que aproximadamente 4% da população possui dislexia. Entre alunos do mundo todo, ela é apontada como o transtorno com maior incidência, atingindo de 5 a 17%. Para incluir crianças com dislexia – e outros tipos de transtornos – a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI) prevê que todos os matriculados em educação especial tenham direito ao Atendimento Educacional Especializado (AEE).

AGIR/UFRN

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