quarta-feira, abril 29, 2026
Rio Grande do Norte

Pesquisa realizada no RN encontra primeiro caso de cavalo infectado com protozoário da Doença de Chagas no Brasil

Foto: Vicente Toscano/Cedida

Uma pesquisa realizada por um médico-veterinário do Rio Grande do Norte encontrou o primeiro caso, no Brasil, de um cavalo infectado com o protozoário trypanosoma cruzi, responsável pela Doença de Chagas. Esse também é um dos primeiros casos descritos pela ciência no mundo.

A pesquisa acaba de ser submetida para publicação da revista científica Parasitology Research e faz parte do doutorado do médico-veterinário Vicente Toscano, que havia estudado a presença do protozoário em cachorros durante o mestrado.

O estudo ocorre no laboratório de biologia dos parasitos, dentro do Programa de Pós Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A pesquisa também localizou caprinos e ovinos infectados pelo mesmo agente. As infecções desses animais são as primeiras descritas no Rio Grande do Norte. A pesquisa ocorreu em oito municípios das regiões Agreste, Central e Oeste.

“Os animais servem de sentinelas para novos casos de zoonoses. Se o poder público vigiar os animais, ele conseguirá prever o surgimento de surtos e epidemias nos humanos, em determinadas regiões”, ressalta o pesquisador.

De acordo com o médico-veterinário, a ideia da pesquisa é entender o ciclo da transmissão da doença de chagas para humanos e a importância também dos animais domesticados nesse processo. A maior parte das pesquisas apontam para a infecção dos insetos no contato com animais silvestres.

“O barbeiro não nasce infectado. Quando ele surge em uma casa, infectado, e não tinha ninguém daquela casa já infectado, a gente tem que entender onde é que esse besouro teve contato com o trypanosoma cruzi. É por isso que começamos a investigar os animais. Eu já tinha relatado casos em cães e agora, no meu doutorado, em caprinos, ovinos e no cavalo”, explica o profissional.

O pesquisador também realizou o sequenciamento genético do protozoário, que coincidiu com o mesmo sequenciamento encontrado nos insetos barbeiros e nos humanos.

“A partir disso, a gente pode afirmar que se trata do mesmo parasito e que essas espécies estão inseridas no mesmo ciclo”, afirmou o pesquisador.

De acordo com o profissional, o Rio Grande do Norte tem atualmente cerca de 15 mil pessoas infectadas com a doença de chagas.

g1 RN

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